A demência é uma síndrome neurológica progressiva e irreversível, que afeta dois ou mais domínios cognitivos, levando a uma perda da capacidade funcional e da autonomia do paciente. Um dos desafios é estimar a sobrevida na fase mais avançada da demência. Importante para o planejamento nesta fase dos cuidados paliativos, incluindo o apoio a família e reflexões sobre limites de intervenções invasivas. Assinale a opção que, em caso de demência avançada, melhor estima uma sobrevida de até seis meses.
- A)Anorexia e disfagia: incapaz de manter ingesta hídrica e calórica necessária. Duas internações por infecção urinária nos últimos seis meses.
Errada, porque anorexia, disfagia e infecções urinárias repetidas sugerem gravidade, mas ainda não resumem tão bem o padrão de declínio terminal exigido para estimar até 6 meses.
- B)Acidente vascular cerebral no último ano.
Errada, pois AVC no último ano pode piorar o estado funcional, mas não é critério específico nem suficiente para prognóstico de demência avançada em 6 meses.
- C)Disfagia e incontinência esfincteriana.
Errada, porque disfagia e incontinência esfincteriana indicam avanço da doença, mas faltam sinais de dependência global e de declínio nutricional/infeccioso mais marcantes.
- D)Disfagia, perda da capacidade de deambulação sem ajuda, hipoacusia, insuficiência cardíaca.
Errada, já que disfagia e incapacidade de deambular sem ajuda apontam limitação importante, mas hipoacusia e insuficiência cardíaca não são os elementos-chave que melhor estimam sobrevida curta na demência avançada.
- E)Incapaz de comunicar-se verbalmente de forma eficaz, andar, vestir-se, sentar-se ou tomar banho sem auxílio, com incontinência urinária e fecal. Internações frequentes por infecções. Perda de peso > 10% em seis meses.
Certa, porque reúne dependência funcional total, incontinência urinária e fecal, infecções frequentes e perda ponderal importante, quadro clássico de prognóstico muito limitado.
Gabarito: E
Em demência avançada, a estimativa de sobrevida em 6 meses costuma ser feita por critérios clínicos de fragilidade e declínio funcional, especialmente quando o paciente perde quase toda autonomia. Na prática, o que pesa mais não é um sintoma isolado, mas o conjunto: incapacidade de se comunicar, de andar, de se vestir, de se sentar ou tomar banho sem ajuda, além de incontinência e complicações infecciosas e nutricionais repetidas. Esse raciocínio é muito parecido com os critérios usados em cuidados paliativos e com escalas funcionais como a FAST (Functional Assessment Staging). Quando o paciente entra em estágio muito avançado, com dependência total e sinais de desnutrição e infecções de repetição, a chance de óbito em até 6 meses aumenta bastante. Por isso, a alternativa E é a melhor: ela descreve incapacidade funcional global, incontinência urinária e fecal, infecções frequentes e perda de peso maior que 10% em seis meses. Esse é exatamente o tipo de quadro que sugere prognóstico muito reservado e ajuda a justificar a abordagem paliativa, com foco em conforto e planejamento familiar. As demais opções trazem achados importantes, mas isoladamente não apontam tão bem para uma sobrevida tão curta. Em prova, pense assim: demência avançada com prognóstico de meses geralmente vem acompanhada de dependência total, declínio nutricional e intercorrências clínicas repetidas, não apenas de um ou dois déficits funcionais.