Lactente de 12 meses de idade com história de prematuridade (idade gestacional de 33 semanas) iniciou com coriza hialina, febre e tosse seca. O irmão de 4 anos estava resfriado. Após 2 dias evoluiu com dispneia, sibilância e piora da intensidade da febre, tendo sido medicado com sintomáticos. Após 5 dias de evolução, a criança piorou passando a apresentar cianose, palidez e recusa alimentar. Procurou assistência médica tendo internado com diagnóstico de bronquiolite viral aguda na enfermaria com suplementação de oxigênio por cateter nasal, sem melhora do quadro. No sétimo dia de internação foi encaminhada para a UTI, com sinais de retenção de CO, diminuição da PO2 até 50mm Hg, mesmo com a suplementação de oxigênio por BIPAP. Foi entubado e mantido em ventilação mecânica por 7 dias. Teve alta para a enfermaria, mas mantinha sibilância contínua e grave, tiragem intercostal, subcostal e de fúrcula. Taquipneia (FR:52ipm) e ausculta com estertores de finas bolhas difusas. Assinale a opção que apresenta a hipótese diagnóstica.
- A)Anel vascular.
Anel vascular costuma causar estridor ou compressão traqueal/esofágica, não esse quadro pós-viral com sibilância persistente.
- B)Traqueomalácia.
Traqueomalácia dá colapso de via aérea com ruído respiratório, mas não explica tão bem a piora após bronquiolite grave e o padrão obstrutivo persistente.
- C)Fibrose Cística.
Fibrose cística pode cursar com sibilância e infecções respiratórias, porém o caso aponta para sequela pós-infecciosa aguda, e não para doença genética crônica de base.
- D)Bronquiolite Obliterante.
Bronquiolite obliterante é a melhor hipótese porque há obstrução persistente das pequenas vias aéreas após infecção viral grave, com sibilância contínua e desconforto respiratório duradouro.
- E)Displasia Broncopulmonar.
Displasia broncopulmonar é típica de prematuros com necessidade prolongada de suporte ventilatório neonatal, o que não é o caso principal descrito aqui.
Gabarito: D
A história é de um quadro viral agudo que piora bastante, exigindo internação, oxigênio, BIPAP e ventilação mecânica. Isso não termina como uma simples bronquiolite que melhora em poucos dias: depois da fase aguda, fica uma obstrução persistente das vias aéreas pequenas, com sibilância contínua, tiragens e taquipneia. Esse padrão é muito sugestivo de bronquiolite obliterante, uma sequela inflamatória em que a agressão ao bronquíolo leva a fibrose e estreitamento da luz. Na prática, o ponto-chave é a persistência e gravidade dos sintomas após a infecção inicial, especialmente quando há falta de resposta ao tratamento de suporte habitual. A criança sai da fase infecciosa, mas continua com chiado difuso, esforço respiratório e alteração ventilatória importante. É o tipo de caso em que a doença deixa de ser "bronquiolite comum" e passa a parecer uma obstrução crônica de pequenas vias aéreas. A bronquiolite obliterante pode surgir após infecção viral grave, como adenovírus, influenza e outros agentes, e é mais lembrada em crianças que tiveram quadro intenso e evolução prolongada. O exame físico pode mostrar sibilância difusa e estertores finos, e a imagem costuma ajudar, embora a questão já entregue a pista principal pelo curso clínico. Por isso o gabarito é a letra D. As demais opções tentam puxar para causas estruturais, genéticas ou de doença pulmonar crônica neonatal, mas nenhuma encaixa tão bem quanto a sequela inflamatória pós-viral com obstrução persistente das pequenas vias aéreas.