A ressecção cirúrgica completa é a única modalidade potencialmente curativa no tratamento de câncer de pâncreas. Os critérios de ressecabilidade estão listados a seguir, à exceção de um. Assinale-o.
- A)Tumor sólido na cabeça do pâncreas, comprometendo 25% do tronco celíaco.
Errada, porque o comprometimento do tronco celíaco já aponta invasão arterial relevante e, em regra, afasta ressecabilidade curativa.
- B)Tumor sólido na cabeça do pâncreas com comprometimento da artéria hepática comum, sem extensão ao tronco celíaco.
Errada, porque o comprometimento da artéria hepática comum também é critério de doença localmente avançada, mesmo sem extensão ao tronco celíaco.
- C)Tumor sólido da cabeça do pâncreas em contato com a veia cava inferior.
Errada, porque contato com a veia cava inferior sugere invasão de estrutura vascular importante e não é um critério clássico de ressecabilidade.
- D)Tumor sólido do corpo pancreático com envolvimento de até 250o da artéria mesentérica superior.
Certa, porque 250° de envolvimento da artéria mesentérica superior é invasão arterial extensa e torna o tumor irressecável.
- E)Tumor sólido do corpo pancreático com envolvimento de até 180o da veia mesentérica superior.
Errada, porque o envolvimento venoso da veia mesentérica superior pode até ser aceito se limitado e reconstruível, mas o número descrito precisa seguir os critérios de ressecabilidade, não de invasão arterial.
Gabarito: D
No câncer de pâncreas, a ressecção cirúrgica completa só faz sentido quando a doença está ressecável, isto é, sem invasão arterial extensa e com comprometimento venoso que ainda permita reconstrução. Em termos práticos, o grande ponto de corte é a relação do tumor com vasos como a artéria mesentérica superior, a veia porta e a veia mesentérica superior. Se a artéria está muito envolvida, a cirurgia deixa de ser uma opção curativa e passa a ser, no máximo, paliativa ou de controle local. A lógica aqui é simples: vaso arterial grande, como a artéria mesentérica superior, não pode estar tomado de forma ampla. Já o acometimento venoso pode ser tolerado em alguns casos, desde que limitado e com possibilidade técnica de reconstrução. Por isso, a prova mistura cenários de contiguidade vascular para testar se você sabe diferenciar o que ainda é operável do que já virou doença localmente avançada. O gabarito é a alternativa D porque um tumor com envolvimento de 250° da artéria mesentérica superior ultrapassa, e muito, o limite de contato aceitável. Esse grau de envolvimento indica invasão arterial extensa, o que afasta a ressecabilidade. Em critérios usados na prática e em diretrizes de estadiamento de câncer de pâncreas, contato arterial maior que 180° já é fortemente sugestivo de irressecabilidade ou, no mínimo, de doença localmente avançada. Então, a pegadinha da questão é tentar fazer você aceitar um comprometimento arterial gigantesco como se fosse apenas um detalhe anatômico. Não é. Quando a artéria entra na história desse jeito, a cirurgia curativa sai de cena com a elegância de quem percebeu que chegou atrasado.