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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Gestante de 34 anos, com 22 semanas de gestação, compareceu à consulta pré-natal referindo cefaleia e náuseas com início há 2 dias. Ao exame a PA (pressão arterial)=150 mmHg x 95 mmHg. Disse que sua PA sempre foi normal. Foram solicitados exames laboratoriais com dosagem de transaminases TGO=16 U/L e TGP=18 U/L, creatinina 0,93 mg/dL, uréia 134, plaquetas 263 mil/mm3, sem proteinúria. O diagnóstico correto é o de

Gabarito: B

Na hipertensão da gestação, o detalhe que manda no caso é o tempo: pressão elevada surgindo depois de 20 semanas de gravidez, em mulher que era normotensa antes, e sem sinais de lesão de órgão-alvo. Aqui, a paciente tem 22 semanas, PA de 150 x 95 mmHg e refere que sua pressão sempre foi normal. Isso encaixa muito bem em hipertensão gestacional. O diagnóstico fica ainda mais claro porque não há proteinúria e os exames não mostram critérios de gravidade: plaquetas normais, creatinina normal e transaminases normais. Em outras palavras, a pressão subiu, mas ainda não apareceu o pacote clássico da pré-eclâmpsia. Na prática, a hipertensão gestacional é uma hipertensão nova após 20 semanas, sem proteinúria e sem disfunção orgânica associada. Já a hipertensão crônica é a que existia antes da gestação ou aparece antes de 20 semanas. Então, se a pressão começa no meio da gravidez, a banca quer que você pense primeiro em hipertensão gestacional, não em doença antiga disfarçada. Se quiser guardar uma regra de bolso: após 20 semanas, pressão alta nova, sem proteinúria e sem sinais de gravidade, pense em hipertensão gestacional. Pré-eclâmpsia entra quando surgem proteinúria e/ou sinais de acometimento materno. Esse é o tipo de questão em que o tempo de início vale mais do que o drama do enunciado.

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