Um paciente, sexo masculino, 60 anos, com edema generalizado, foi diagnosticado com síndrome nefrótica e indicado para uma biópsia renal, cujo laudo anatomopatológico, entre outras coisas, foi: “espessamento difuso da membrana basal glomerular (MBG), presença de espículas (spikes) e intensos depósitos imunes granulares principalmente de IgG ao longo da parede capilar”. Com base neste caso e no achado histopatológico descrito, o exame útil para avaliar o diagnóstico e o prognóstico da doença renal deste paciente é:
- A)Anticorpo anti-membrana basal glomerular (ANTI-MBG).
O anti-MBG é típico da doença anti-membrana basal glomerular, que costuma cursar com glomerulonefrite rapidamente progressiva e, às vezes, hemorragia pulmonar, não com nefropatia membranosa.
- B)Fator anti-nuclear (FAN).
O FAN sugere doenças autoimunes sistêmicas, como lúpus, que pode causar nefrite, mas não é o marcador específico do padrão histológico descrito.
- C)Anticorpo anti-beta-2 glicoproteína I (BETA-2-GP-I).
O anti-beta-2 glicoproteína I se relaciona à síndrome antifosfolípide, associada a tromboses e perdas gestacionais, não ao quadro clássico de membranosa.
- D)Anticorpo anti-citoplasma de neutrófilo (ANCA).
O ANCA é associado às vasculites associadas a ANCA, geralmente com glomerulonefrite pauci-imune e quadro nefrítico rapidamente progressivo, diferente deste caso.
- E)Anticorpo anti-receptor da fosfolipase A2 (PLA-2R).
O anti-PLA2R é o marcador sorológico mais útil na nefropatia membranosa primária, ajudando no diagnóstico e no acompanhamento prognóstico.
Gabarito: E
O laudo descrito é praticamente o retrato clássico da nefropatia membranosa, uma causa comum de síndrome nefrótica no adulto, especialmente em homens mais velhos. Quando a biópsia mostra espessamento difuso da membrana basal glomerular, espículas em "spikes" e depósitos granulares de IgG ao longo da parede capilar, o raciocínio vai direto para depósitos subepiteliais de imunocomplexos. Em resumo: o glomérulo fica com cara de "parede engrossada e cheia de grumos". Nessa doença, o exame mais útil para ajudar no diagnóstico e também na avaliação prognóstica é o anticorpo anti-receptor da fosfolipase A2, o anti-PLA2R. Ele está associado à forma primária da nefropatia membranosa e tem boa correlação com atividade da doença, além de poder acompanhar resposta ao tratamento e risco de progressão. Quanto maior e mais persistente a positividade, maior a chance de doença ativa. Por isso o gabarito é a letra E. As outras alternativas até são exames importantes em outras nefropatias ou doenças sistêmicas, mas não são o marcador mais útil aqui. Em prova, quando aparecer síndrome nefrótica no adulto com "spikes" na biópsia, pense primeiro em nefropatia membranosa e em anti-PLA2R na cabeça. Na prática, o anti-PLA2R virou o biomarcador preferido na nefropatia membranosa primária, usado inclusive para monitorar evolução. A biópsia continua importante, mas o exame sorológico ajuda a fechar o quadro e a estimar prognóstico.