Um paciente de 42 anos tem uma vida saudável e apresenta queixa de despertar na madrugada com angina pectoris, sem outras queixas. Essa queixa e esse quadro clínico são altamente sugestivos de:
- A)Pneumonia.
Errada, porque pneumonia costuma causar febre, tosse, dispneia e dor pleurítica, nao angina isolada ao despertar.
- B)Angina estável.
Errada, porque a angina estável surge tipicamente aos esforços e melhora com repouso, nao aparece de madrugada em repouso.
- C)Angina variante.
Certa, porque angina em repouso, especialmente de madrugada, é o padrão clássico de vasoespasmo coronariano.
- D)Derrame pleural.
Errada, porque derrame pleural causa geralmente dispneia e dor ventilatório-dependente, nao angina pectoris típica.
- E)Tromboembolismo pulmonar maciço.
Errada, porque tromboembolismo pulmonar maciço costuma dar dispneia súbita, hipóxia e instabilidade hemodinâmica, nao esse padrão recorrente de dor noturna.
Gabarito: C
A dor no peito que aparece de madrugada, em um paciente jovem, saudável e sem outros sintomas, faz voce pensar em um padrão bem específico de isquemia: a angina variante, também chamada de angina de Prinzmetal. Ela costuma surgir em repouso, muitas vezes no fim da noite ou de madrugada, porque o problema principal nao é esforço, e sim um espasmo transitório da artéria coronária. É aquela situação em que o vaso “fecha a porta” por alguns minutos e depois volta ao normal. Na angina estável, o roteiro é outro: a dor aparece com esforço, estresse ou caminhada mais rápida e melhora com repouso ou nitrato. Aqui, o detalhe-chave do enunciado é o despertar noturno com angina, sem que o paciente tenha que fazer esforço para sentir a dor. Isso aponta muito mais para vasoespasmo do que para obstrução fixa por demanda aumentada. Do ponto de vista clássico, a angina variante se associa a espasmo coronariano e costuma vir com dor em repouso, frequentemente de madrugada, podendo inclusive mostrar elevação transitória do segmento ST durante a crise. Em provas, esse padrão é um marcador quase decorado: angina em repouso + madrugada + paciente aparentemente sem grande doença de base = pense em vasoespasmo. Então o gabarito C está correto porque o enunciado descreve exatamente o quadro típico de angina variante. As demais alternativas falam de quadros respiratórios ou de angina de esforço, mas o padrão temporal e clínico da questão é de espasmo coronariano, não de pneumonia, derrame pleural ou tromboembolismo pulmonar maciço.