Lactentes com quadro de diarreia aguda com início há 2 dias com febre de 39°C, evoluindo há 2 dias com evacuações líquidas de 6 episódios por dia, sem muco, pus ou sangue e vômitos pós-alimentares. Hoje a mãe refere queda do estado geral. Ao exame, palidez cutânea, irritabilidade, mucosas secas, turgor pastoso, frequência cardíaca 160 bpm e tempo de enchimento capilar de 3 segundos. O diagnóstico do estado de hidratação da criança e a conduta a ser adotada são, respectivamente:
- A)Desidratação grave – terapia de reidratação endovenosa com Soro Fisiológico 0,9%, 30 ml/ kg em 3 horas.
Errada: o quadro sugere desidratação moderada, não grave, e a reposição venosa em bolus/curto prazo não é a primeira escolha aqui.
- B)Desidratação moderada – terapia de reidratação oral com sais de reidratação 50 a 100 ml/kg em 4 a 6 horas.
Certa: os achados clínicos indicam desidratação moderada, cuja conduta é terapia de reidratação oral com SRO em 50 a 100 mL/kg em 4 a 6 horas.
- C)Desidratação leve – terapia de reidratação endovenosa com Soro Fisiológico 0,9% e Soro Glicosado 5% dividido em partes iguais, 50 ml/ kg em 2 horas.
Errada: a criança não é apenas levemente desidratada e, além disso, a mistura com soro glicosado 5% não é a conduta padrão para esse cenário.
- D)Normo hidratação – terapia de reidratação oral com sais de reidratação 20 a 50 ml/kg em 4 a 6 horas.
Errada: não há sinais de normohidratação, pois mucosas secas, taquicardia e TEC prolongado apontam para perda hídrica significativa.
- E)Choque hipovolêmico - terapia de reidratação endovenosa com Soro Fisiológico 0,9%, 50 ml/ kg em 3 horas.
Errada: choque hipovolêmico exigiria sinais mais marcantes de má perfusão e instabilidade hemodinâmica, o que não foi descrito.
Gabarito: B
Na diarreia aguda do lactente, o passo mais importante é estimar o grau de desidratação olhando perfusão, mucosas, turgor, frequência cardíaca e estado geral. Aqui, a criança está irritada, com mucosas secas, turgor pastoso, taquicardia e tempo de enchimento capilar aumentado, o que aponta para desidratação moderada, e não para um simples quadro leve ou para choque instalado. Em pediatria, a desidratação moderada costuma ser manejada com terapia de reidratação oral com sais de reidratação em dose calculada por peso, geralmente 50 a 100 mL/kg em 4 a 6 horas. A ideia é repor o déficit com segurança, sem “atropelar” o intestino com excesso de volume intravenoso quando a criança ainda consegue receber via oral. Já a desidratação grave ou o choque pedem reidratação endovenosa imediata, porque aí o problema é perfusão e risco hemodinâmico, não só perda de água. Mas este não é o cenário descrito: apesar da piora do estado geral, não há sinais suficientes de colapso circulatório para justificar tratar como choque. Por isso, o gabarito B está correto: o quadro clínico é de desidratação moderada e a conduta adequada é a terapia de reidratação oral com sais de reidratação, 50 a 100 mL/kg em 4 a 6 horas. É a clássica lógica do manejo da diarreia aguda infantil: avaliar, classificar e hidratar do jeito certo, sem exagero nem economia demais.