“…A picada quase sempre é imperceptível e o quadro clínico decorrente do envenenamento é geralmente a forma cutânea (87 a 98% dos casos) de instalação lenta e progressiva, inicialmente bolha de conteúdo seroso incaracterístico, edema, evoluindo para enduração, equimose até a lesão característica com dor em queimação, lesões hemorrágicas focais, mescladas com áreas pálidas de isquemia (placa marmórea) e necrose… “ Essa descrição se refere a uma lesão causada por picada de:
- A)escorpião.
Errada, porque escorpião causa principalmente dor local intensa e manifestações neurotóxicas, não a lesão cutânea necrosante descrita.
- B)Lycosa – aranha-de-grama.
Errada, pois a aranha-de-grama (Lycosa) costuma causar quadro local leve, sem a evolução típica para placa marmórea e necrose.
- C)Lexoceles – aranha marrom.
Certa, porque Loxosceles é a aranha-marrom, clássica por picada pouco percebida e lesão cutânea progressiva com placa marmórea e necrose.
- D)Phoneutria – aranha armadeira.
Errada, já que a aranha-armadeira (Phoneutria) é mais associada a dor intensa e sintomas sistêmicos imediatos, e não ao padrão cutâneo descrito.
- E)Lactrodectus – aranha viúva-negra.
Errada, porque a viúva-negra (Latrodectus) causa síndrome neurotóxica com dor, espasmos e sinais autonômicos, não necrose cutânea típica.
Gabarito: C
A descrição é clássica de aranha-marrom (Loxosceles), um dos acidentes araneísticos mais cobrados em prova. O detalhe que entrega a questão é a evolução lenta da lesão cutânea, muitas vezes com picada quase imperceptível, começando com bolha, edema e depois evoluindo para enduração, equimose, placa marmórea e necrose. Isso é bem diferente da imagem de dor imediata e sistêmica intensa que outras aranhas costumam causar. Na prática, a aranha-marrom costuma provocar um quadro local inicialmente discreto, mas que vai “piorando com classe”, deixando a pele com áreas pálidas e hemorrágicas ao redor, o que gera a chamada placa marmórea. Em casos mais graves, pode haver também hemólise e manifestações sistêmicas, mas o enunciado está focado no padrão cutâneo, que é o mais típico. Por isso, o gabarito é a alternativa C, que cita Loxosceles. Em conteúdos de clínica toxicológica e em manuais como os do Ministério da Saúde sobre acidentes por animais peçonhentos, esse é exatamente o quadro descrito para aranha-marrom. Em prova, sempre que aparecer lesão cutânea progressiva com necrose e placa marmórea, pense primeiro em Loxosceles. As demais alternativas apontam para acidentes com perfil diferente: escorpião e aranhas como armadeira e viúva-negra tendem a causar mais dor intensa e sintomas neurotóxicos/sistêmicos, não essa lesão cutânea necrosante típica.