Nas emergências urológicas na criança, o processo inflamatório agudo escrotal, conhecido como escroto agudo, é caracterizado por dor, calor e edema da bolsa escrotal. Analise as afirmativas abaixo sobre essa doença: Testículos retráteis ou criptorquídicos são mais sujeitos à torção do cordão espermático por deficiência na fixação do gubernaculum testis no escroto. A torção do cordão espermático sobre seu próprio eixo apresenta dois picos de incidência, um no período neonatal na forma extravaginal, e outro intravaginal entre as idades de 12 a 18 anos. A torção neonatal (pré-natal e até 30 dias de vida) pode se apresentar como quadro não agudo, secundário à torção intraútero, e detectado imediatamente após o parto, ou ainda como ausência de testículo palpado, caracterizando posteriormente o “vanishing testis”. A torção de apêndices, os apêndices testiculares, hidátides de Morgagni (estruturas müllerianas) e o epididimário (estrutura wolfiana) usualmente têm um quadro clínico menos intenso que o da torção de cordão espermático, e ocorre mais frequentemente em meninos de 7 a 12 anos de idade. Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
- A)São corretas apenas as afirmativas 2 e 4.
A alternativa sustenta que apenas as afirmativas 2 e 4 descrevem corretamente o escroto agudo na criança, isto é, os picos etários da torção testicular e o quadro mais brando da torção dos apêndices. O problema é que a afirmativa 1 também está correta, pois a má fixação testicular, especialmente nos casos de criptorquidia, aumenta a mobilidade do testículo e favorece a torção do cordão espermático. Além disso, a afirmativa 3 também corresponde à torção neonatal e à regressão testicular intraútero, de modo que a opção exclui assertivas verdadeiras.
- B)São corretas apenas as afirmativas 1, 2 e 4.
Esta opção afirma que são corretas as afirmativas 1, 2 e 4, reunindo a predisposição anatômica à torção, a incidência em dois picos e a torção dos apêndices com dor menos intensa. O erro está em deixar de fora a afirmativa 3, porque a torção neonatal pode ocorrer antes do nascimento ou nos primeiros dias de vida, manifestando-se como massa escrotal ao nascer ou como ausência de testículo palpável, o que se relaciona ao conceito de vanishing testis. Portanto, o conjunto não está completo.
- C)São corretas apenas as afirmativas 1, 3 e 4.
Aqui se consideram verdadeiras as afirmativas 1, 3 e 4, ou seja, a maior vulnerabilidade de testículos mal fixados, a forma neonatal da torção e a torção de apêndices testiculares. A falha é excluir a afirmativa 2, que está correta ao apontar os dois picos clássicos de incidência da torção do cordão espermático, um neonatal na forma extravaginal e outro intravaginal na puberdade. Assim, a opção omite um dado epidemiológico fundamental da doença.
- D)São corretas apenas as afirmativas 2, 3 e 4.
A alternativa reúne as afirmativas 2, 3 e 4, contemplando a distribuição etária da torção testicular, a apresentação neonatal e o quadro típico de torção de apêndices. O equívoco está em retirar a afirmativa 1, porque testículos retráteis ou criptorquídicos têm maior risco de torção justamente pela fixação inadequada relacionada ao gubernáculo e à maior mobilidade do testículo. Desse modo, ela desconsidera uma base anatômica importante para o escroto agudo pediátrico.
- E)São corretas as afirmativas 1, 2, 3 e 4.
Esta é a correta porque todas as quatro afirmativas correspondem ao que se descreve classicamente no escroto agudo pediátrico. A 1 aponta a maior suscetibilidade à torção em testículos mal fixados, a 2 traz os dois picos de incidência da torção do cordão espermático, a 3 descreve a torção neonatal e sua relação com a torção intraútero e o vanishing testis, e a 4 resume a torção dos apêndices, mais comum em pré-púberes e geralmente menos intensa que a torção testicular. O conjunto está coerente com a anatomia, a epidemiologia e a apresentação clínica da urologia pediátrica.
Gabarito: E
O escroto agudo na criança é uma emergência urológica clássica: dor, edema e calor na bolsa escrotal, e a grande missão é não perder tempo com a torção testicular, porque a janela para preservar o testículo é curta. Aqui entram tanto a torção do cordão espermático quanto a torção de apêndices testiculares, que costumam confundir o diagnóstico no pronto atendimento. A afirmativa 1 está correta porque testículos retráteis ou criptorquídicos têm maior risco de torção: a fixação do testículo ao escroto fica inadequada, o que facilita a rotação do cordão. A 2 também está certa: a torção do cordão espermático costuma ter dois picos, um neonatal, na forma extravaginal, e outro na adolescência, geralmente intravaginal, entre 12 e 18 anos. A 3 está correta porque a torção neonatal pode aparecer como quadro não agudo, após torção intraútero, sendo percebida logo após o parto, ou como ausência de testículo palpável, levando depois ao chamado vanishing testis. A 4 também está correta: a torção de apêndices testiculares, como a hidátide de Morgagni e o apêndice epididimário, costuma ser menos intensa que a torção do cordão e é mais frequente em meninos de 7 a 12 anos. Resumo de prova: criança com escroto agudo exige pensar primeiro em torção testicular até prova em contrário. Como as quatro afirmativas descrevem corretamente epidemiologia, fisiopatologia e apresentação clínica, o gabarito é a alternativa que reúne todas elas.