Paciente de 55 anos, imunocompetente, apresenta queixas de obstrução nasal crônica, dor facial e rinorreia esverdeada unilateral há 6 meses. Ao exame, nota-se secreção espessa e crostas na cavidade nasal direita. A tomografia computadorizada revela opacificação do seio maxilar direito, com presença de densidade sugestiva de material calcificado. Qual o diagnóstico mais provável?
- A)Rinossinusite bacteriana crônica.
Errada, porque a rinossinusite bacteriana crônica não costuma causar densidades calcificadas na tomografia nem predomínio unilateral tão sugestivo de fungo.
- B)Rinossinusite fúngica alérgica.
Errada, porque a rinossinusite fúngica alérgica geralmente ocorre com atopia, pólipos e muco espesso difuso, e não com um foco calcificado unilateral típico de bola fúngica.
- C)Aspergilose fúngica não invasiva.
Certa, pois o quadro é típico de aspergilose fúngica não invasiva, com acometimento crônico unilateral do seio maxilar e material calcificado na TC.
- D)Tumor nasossinusal.
Errada, porque tumor nasossinusal pode causar obstrução unilateral, mas o achado de conteúdo calcificado no seio maxilar em um quadro crônico favorece fortemente etiologia fúngica.
- E)Rinossinusite fúngica invasiva aguda.
Errada, porque a rinossinusite fúngica invasiva aguda ocorre em imunossuprimidos e evolui rapidamente, com sinais de invasão tecidual, não com curso crônico em imunocompetente.
Gabarito: C
A sinusite fúngica em paciente imunocompetente costuma aparecer de forma bem traiçoeira: sintomas crônicos, muitas vezes unilaterais, com obstrução nasal, dor facial e secreção espessa. Quando a tomografia mostra opacificação de seio paranasal associada a focos de alta densidade ou material calcificado, pense em bola fúngica, geralmente por Aspergillus, e não em infecção bacteriana comum. Aqui, o ponto-chave é a combinação de unilateralidade, cronicidade e calcificações no seio maxilar. Isso é muito sugestivo de aspergilose fúngica não invasiva, também chamada de fungus ball. Ela ocorre em pessoas sem imunossupressão e costuma ficar restrita ao seio, sem invadir mucosa, osso ou órbita. Já a rinossinusite fúngica invasiva aguda é outra história: quadro rápido, grave e típico de imunossuprimidos, com risco de necrose e extensão para tecidos vizinhos. A forma alérgica, por sua vez, costuma ocorrer em pacientes atópicos, com pólipos, muco espesso tipo "lama" e achados diferentes na imagem. Por isso, o gabarito C está correto: o caso é clássico de aspergilose fúngica não invasiva, em especial a forma de bola fúngica no seio maxilar. Na prática de prova, sempre que aparecer sinusite unilateral crônica com densidade calcificada na TC, acenda a luz amarela para fungo.