Distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-base são alterações que podem afetar o equilíbrio de líquidos e eletrólitos no corpo, e o pH do sangue. Sobre este assunto analise as alternativas e assinale a incorreta: (OBS: Pco2 (pressão parcial de dióxido de carbono); HCO3- (bicarbonato sérico)).
- A)A acidose metabólica é sugerida por uma Pco2> 40 mmHg; o HCO3− deve compensar aumentando de 3 a 4 mEq/L (3 a 4 mmol/L) para cada 10 mmHg de elevação da Pco2 sustentada por 4 a 12 horas [pode não ocorrer aumento ou elevação de apenas 1 a 2 mEq/L, que aumenta lentamente até 3 a 4 mEq/L (3 a 4 mmol/L) ao longo de dias]. Elevações maiores de HCO3− implicam em alcalose metabólica primária; aumentos menores sugerem que não houve tempo para compensação ou que há acidose metabólica primária coexistente.
Errada, porque Pco2 elevada sugere acidose respiratória, não acidose metabólica, e a compensação do HCO3- foi descrita de forma invertida.
- B)A Alcalose metabólica é sugerida por HCO3−> 28 mEq/L (> 28 mmol/L). A Pco2 deve compensar, elevando cerca de 0,6 a 0,75 mmHg para cada aumento de 1 mEq/L (1 mmol/L) no HCO3− (até cerca de 55 mmHg). Aumentos maiores implicam em acidose respiratória concomitante; aumentos menores, alcalose respiratória.
Certa, pois descreve a alcalose metabólica e sua compensação respiratória esperada de modo compatível com a fisiologia.
- C)O hiato aniônico sempre deve ser calculado; seu aumento quase sempre indica acidose metabólica. Um hiato aniônico normal com HCO3− baixo (p. ex., < 24 mEq/L [< 24 mmol/L]) com cloro (Cl−) sérico elevado indica acidose metabólica sem intervalo de ânions (hiperclorêmica). Em caso de acidose metabólica, calcular a variação da diferença (delta gap) para identificar alcalose metabólica concomitante e utilizar a fórmula de Winters para determinar se a compensação respiratória está adequada ou se reflete um segundo desequilíbrio ácido-base (PCO2 prevista = 1,5 (HCO3−) + 8 ±2; se a PCO2 estiver mais elevada, significa acidose respiratória concomitante — se estiver mais baixa, alcalose respiratória).
Certa, porque reforça o uso do hiato aniônico, da fórmula de Winters e da análise de distúrbios mistos na acidose metabólica.
- D)Distúrbios ácido-base complexos ou mistos envolvem mais de um processo primário. Nesses distúrbios mistos, os valores podem ser enganosamente normais. Assim, ao avaliar distúrbios ácido-base, é importante determinar se as mudanças na Pco2 e no HCO3− mostram a compensação esperada. Do contrário, deve-se então suspeitar de um segundo processo primário como causa para a compensação anormal. A interpretação deve considerar as condições clínicas (p. ex., doença pulmonar crônica, insuficiência renal, overdose de drogas).
Certa, pois reconhece que distúrbios mistos podem mascarar alterações e que a compensação esperada precisa ser conferida.
- E)A avaliação se faz com gasometria arterial e eletrólitos séricos. A gasometria mede diretamente o pH e a Pco2. Calcula-se o nível de HCO3− informado na gasometria arterial utilizando a equação de Henderson-Hasselbalch. Mede-se diretamente o nível de HCO3− no painel químico sérico. Consideram-se os níveis de HCO3− medidos diretamente mais precisos nos casos de discrepância.
Certa, já que a gasometria estima o HCO3- pela Henderson-Hasselbalch e o valor sérico medido pode ser usado como conferência em discrepâncias.
Gabarito: A
Quando voce pensa em distúrbios ácido-base, a primeira pergunta é: o problema começou no pulmão ou no metabolismo? Se o pH caiu e a Pco2 subiu, o raciocínio aponta para acidose respiratória. Se o pH caiu e o HCO3- caiu, aí sim o quadro sugere acidose metabólica. A banca adora misturar esses conceitos para ver se voce confunde o marcador primário com a compensação. Na acidose metabólica, o corpo tenta compensar hiperventilando, o que reduz a Pco2. Já na alcalose metabólica, a ventilação tende a diminuir, elevando a Pco2 dentro de limites previsíveis. Então, afirmar que uma Pco2 maior que 40 mmHg sugere acidose metabólica inverte a lógica fisiológica básica. Esse é o tipo de troca que parece pequena, mas derruba a questão inteira. A alternativa A também erra ao descrever a resposta do HCO3- como compensação para aumento da Pco2. Na verdade, quando a Pco2 sobe por causa de problema respiratório, o rim retém bicarbonato ao longo do tempo para compensar a acidose respiratória. Ou seja: Pco2 alta não aponta para acidose metabólica, e sim para acidose respiratória, com HCO3- subindo como compensação renal. Por isso, o gabarito é A: ela troca o distúrbio primário e mistura a direção da compensação. O restante das alternativas traz a lógica clássica da interpretação gasométrica: avaliar pH, Pco2, HCO3-, hiato aniônico e ver se a compensação faz sentido ou se existe mais de um distúrbio acontecendo ao mesmo tempo.