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Medicina · CS-UFG · 2024

Questão comentada de Medicina

Leia o caso a seguir. Mulher, 37 anos, refere história de fraqueza, sonolência, adinamia, tontura e dispneia aos moderados esforços de início há 8 meses. Há uma semana, vem apresentando tosse, expectoração amarelada e febre. Relata que algumas áreas do corpo haviam escurecido, especialmente na face. Nega ortopneia ou dispneia paroxística noturna. Faz uso de tiroxina (T4) há 5 anos. Desidratada (+/4+), descorada (3+/4+), ictérica (+/4+), PA 80/50 mmHg, FC 88 bpm, FR 26 ipm, Temp. 38,1ºC, oximetria 93%. Rx de tórax com infiltrado grosseiro e derrame pleural em dois terços inferiores à direita. No exame, hemoglobina 4,6 g/dL; hematócrito 19,8%; VCM 123,7 fL; leucócitos 2630/ mm3 ; plaquetas 72.000/ mm3 . Realizada ressuscitação volêmica e iniciada antibioticoterapia, com colheita de culturas. Suspeita de insuficiência adrenal e prescrição de hidrocortisona endovenosa. Cortisol aleatório sérico < 2 mcg/dL e pesquisa de autoanticorpos foi positiva para o receptor de TSH (TSH-Abs ou Trabs). O fator indicativo para adrenalite autoimune é:

Gabarito: B

A adrenalite autoimune costuma aparecer dentro de um "combo" de outras doenças autoimunes. Quando você vê insuficiência adrenal primária associada a tireoidopatia autoimune, anemia megaloblástica, diabetes tipo 1 ou vitiligo, já acende a luz de síndrome poliglandular autoimune. O raciocínio da questão vai nessa linha: ela tinha sinais de insuficiência adrenal e também doença tireoidiana autoimune, o que reforça essa origem autoimune. O achado clássico que aponta para autoimunidade cutânea é o vitiligo: lesões hipocrômicas/acrômicas, bem delimitadas, com preservação da sensibilidade local. Isso acontece porque há destruição de melanócitos, mas não de nervos cutâneos. Em prova, vitiligo é quase um "cartão de visita" de doença autoimune associada. Além disso, a crise adrenal pode dar hipotensão, fraqueza, sonolência, desidratação e até alterações hematológicas e metabólicas, o que pode confundir com infecção grave. Mas o ponto-chave da pergunta é identificar o sinal clínico que denuncia o terreno autoimune, e não apenas a gravidade do quadro. Portanto, a alternativa B está correta porque descreve vitiligo, um marcador típico de adrenalite autoimune e de síndrome poliglandular autoimune. As demais opções sugerem diagnósticos paralelos ou achados inespecíficos, sem esse valor de pista para autoimunidade.

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