Rafael, oito anos, foi mordido na mão esquerda pelo cão do vizinho, o qual afirma que o cão está saudável, com vacinação em dia e sem mudanças comportamentais recentes. Apesar disso, Rafael nunca recebeu profilaxia para raiva. Conforme o protocolo mais recente do Ministério da Saúde (2022), além da lavagem da lesão com água e sabão, a conduta inicial é:
- A)Aplicar duas doses da vacina nos dias 0 e 3 e encerrar o caso, se o animal estiver saudável após 10 dias.
Correta: para cão saudável, vacinado e observável por 10 dias, o protocolo indica vacina nos dias 0 e 3, encerrando o caso se o animal permanecer hígido.
- B)Aplicar cinco doses da vacina nos dias 0, 3, 7, 14 e 28, juntamente com soro (SAR ou IGHAR).
Errada: esse esquema com 5 doses e soro é mais amplo do que o necessário para um cão doméstico saudável e observável.
- C)Observar o animal por 10 dias e não recomendar a profilaxia.
Errada: mesmo com animal aparentemente saudável, a profilaxia inicial é indicada até completar a observação de 10 dias.
- D)Aplicar quatro doses da vacina nos dias 0, 3, 7 e 14, associadas ao soro (SAR ou IGHAR).
Errada: 4 doses associadas ao soro não é a conduta para este cenário de baixo risco com cão observável.
- E)Encerrar o caso após a aplicação de três doses da vacina nos dias 0, 3 e 7.
Errada: três doses sem considerar a observação do animal e sem seguir o esquema do protocolo não corresponde à recomendação.
Gabarito: A
Na raiva, o ponto-chave é sempre a avaliação do animal agressor e a lavagem imediata da ferida com água e sabão, porque isso reduz muito o risco. No protocolo do Ministério da Saúde, se o cão é conhecido, está saudável, vacinado e pode ser observado por 10 dias, a conduta para o acidentado é iniciar vacina com esquema reduzido de 2 doses, nos dias 0 e 3, sem soroterapia de rotina. Se o animal permanecer sem sinais de raiva ao final da observação, o caso é encerrado. Isso acontece porque o cão doméstico, quando mantém-se hígido por 10 dias após a mordida, praticamente afasta a possibilidade de eliminação viral naquele momento. A lógica é bem prática: você não espera a doença aparecer em quem foi mordido, mas também não sai usando soro em todo mundo. O soro antirrábico (SAR ou IGHAR) fica reservado para exposições mais graves ou situações de maior risco, especialmente quando o animal é suspeito, não pode ser observado ou há maior gravidade da lesão. Como o enunciado descreve um cão saudável, vacinado e observável, a resposta é a imunização com 2 doses. Esse raciocínio está alinhado com o Protocolo de Profilaxia da Raiva Humana do Ministério da Saúde (2022), que orienta conduta conforme espécie, estado clínico do animal e possibilidade de observação por 10 dias. Em prova, o detalhe mais importante é não confundir “mordida por cão” com “sempre precisa de soro e esquema completo”.