Menino, 10 anos, é levado ao pronto-socorro com queixa de dor abdominal há dois dias, inicialmente periumbilical, que migrou para a fossa ilíaca direita nas últimas doze horas. Ele apresenta febre de 38,5°C, náuseas e perda de apetite. Durante o exame físico, nota-se dor à palpação profunda em fossa ilíaca direita, com sinal de Blumberg positivo. O hemograma revela leucocitose com desvio à esquerda. Um ultrassom de abdome é solicitado e mostra distensão do apêndice com espessamento da parede, ausência de peristaltismo e aumento de ecogenicidade ao redor. Com base no quadro clínico e nos achados do exame, qual é a conduta mais adequada para esse paciente?
- A)Laparotomia exploratória para diagnóstico e tratamento.
Errada, porque laparotomia exploratória não é a primeira escolha quando o diagnóstico já é fortemente sugerido e a videolaparoscopia está disponível.
- B)Observação clínica e reavaliação em vinte e quatro horas.
Errada, pois o quadro é de abdome agudo inflamatório com sinais peritoneais, o que não justifica simples observação.
- C)Administração de antibióticos por via oral e alta com orientação.
Errada, porque antibiótico oral e alta não tratam adequadamente uma apendicite aguda com sinais clínicos e ultrassonográficos de gravidade.
- D)Laparoscopia para apendicectomia, seguida de antibióticos profiláticos.
Certa, pois a apendicectomia por laparoscopia é a conduta indicada na apendicite aguda, com antibióticos profiláticos.
- E)Tomografia computadorizada de abdome antes de qualquer intervenção.
Errada, porque a tomografia não é necessária diante de quadro clínico e ultrassonográfico já compatíveis com apendicite aguda.
Gabarito: D
O quadro é bem típico de apendicite aguda em criança: dor que começa difusa/periumbilical e migra para a fossa ilíaca direita, febre, náuseas, anorexia, defesa localizada e sinal de Blumberg positivo. O ultrassom ajudou a fechar a suspeita ao mostrar apêndice distendido, parede espessada, ausência de peristaltismo e inflamação ao redor, achados que apontam para processo inflamatório agudo e não para algo para “esperar pra ver”. Nessa situação, a conduta adequada é tratamento cirúrgico por apendicectomia, preferencialmente por videolaparoscopia, quando disponível e se não houver contraindicação. A laparoscopia permite diagnóstico e tratamento com menor agressão cirúrgica, melhor recuperação e boa visualização da cavidade abdominal, o que é especialmente útil em pediatria. Antibiótico isolado e observação só entram em cenários bem selecionados e, mesmo assim, não substituem a conduta cirúrgica quando o quadro clínico e o exame de imagem são tão sugestivos. Aqui já há sinais de irritação peritoneal, então adiar aumenta o risco de perfuração e complicações. Em prova, pense assim: apendicite típica + imagem compatível = cirurgia, não novela de UTI de observação. Por isso, a alternativa D é a correta: laparoscopia para apendicectomia, com antibióticos profiláticos. É a medida mais adequada para tratar a causa e reduzir risco de infecção pós-operatória.