Paciente, sexo feminino, 40 anos, tabagista, apresenta quadro de dispepsia e epigastralgia de forte intensidade. Durante a investigação diagnóstica foi constatada doença ulcerosa péptica duodenal com pesquisa para Helicobacter pylori positiva. De acordo com as orientações do IV Consenso Brasileiro sobre Infecção pelo H. pylori, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A)O teste respiratório com ureia 13C é o método padrão-ouro para o diagnóstico não invasivo da infecção por H. Pylori.
Certa: o teste respiratório com ureia 13C é um dos melhores métodos não invasivos para diagnosticar infecção ativa por H. pylori.
- B)A pesquisa de H. Pylori, após a terapia de erradicação, deve ser realizada pelo menos 4 semanas após o término do tratamento.
Certa: a pesquisa de erradicação deve ser feita no mínimo 4 semanas após o fim do tratamento, para evitar falso-negativo.
- C)O tratamento preconizado é o inibidor de bomba de prótons 1x/dia + amoxicilina 1g 1x/dia + claritromicina 500 mg 12/12h, durante 7 dias.
Errada: o esquema está inadequado na dose da amoxicilina e também na duração, que não deve ser de apenas 7 dias nesse contexto.
- D)O uso de antibióticos deve ser descontinuado por 4 semanas antes da realização dos testes diagnósticos para a infecção por H. Pylori, exceto a sorologia.
Certa: antibióticos devem ser suspensos por 4 semanas antes dos testes diagnósticos, exceto a sorologia.
- E)A sorologia pode ser usada como o teste inicial para diagnosticar a infecção por H. Pylori, especialmente na presença de sangramento gastrointestinal.
Certa: a sorologia pode ser usada em situações especiais, inclusive quando há sangramento gastrointestinal, embora não seja o melhor teste para infecção ativa.
Gabarito: C
A infecção por Helicobacter pylori é uma causa clássica de úlcera duodenal, dispepsia e, em alguns casos, até de câncer gástrico. Na prática, o diagnóstico pode ser feito por métodos invasivos, como biópsia na endoscopia, ou não invasivos, como teste respiratório da ureia 13C, antígeno fecal e, em situações específicas, sorologia. O teste respiratório com ureia 13C é o preferido entre os métodos não invasivos porque detecta infecção ativa com boa acurácia. Depois do tratamento, não basta assumir que a bactéria foi embora, porque ela adora fazer jogo de esconde-esconde. Por isso, a confirmação de erradicação deve ser feita pelo menos 4 semanas após o término da antibioticoterapia, e o ideal é suspender também inibidores de bomba de prótons antes do teste, para não atrapalhar o resultado. Antibióticos e bismuto também devem ser suspensos previamente. O ponto-chave da questão está na alternativa C: o esquema descrito está errado. No IV Consenso Brasileiro, o tratamento clássico inclui IBP em dose habitual mais amoxicilina 1 g 12/12h e claritromicina 500 mg 12/12h, geralmente por 14 dias, e não amoxicilina 1 vez ao dia nem apenas 7 dias. Ou seja, a alternativa erra na dose e na duração, o que derruba a afirmativa. A sorologia pode até ser útil em contextos específicos, especialmente quando outros testes podem falhar, como na presença de sangramento digestivo, mas ela não serve bem para avaliar infecção ativa nem para controle de cura. O detalhe que cai em prova é esse: sorologia ajuda em cenários selecionados, mas não é o melhor teste para acompanhar erradicação.