Os índices de risco habituais para avaliação perioperatória de cirurgias não cardíacas perdem a acurácia ao discriminar classes de risco e subestima eventos em pacientes submetidos a operações vasculares, notadamente cirurgias de aorta abdominal, sendo proposto o VSG Cardiac Risk Index (VSG-CRI). De acordo com as recomendações da Diretriz de Avaliação Cardiovascular Perioperatória da Sociedade Brasileira de Cardiologia – 2024, qual dos critérios relacionados a seguir NÃO está incluído na avaliação de risco de pacientes que serão submetidos a procedimentos vasculares?
- A)Tabagismo.
Tabagismo está incluído na avaliação de risco do VSG-CRI, por ser fator relevante em pacientes vasculares.
- B)Idade maior ou igual a 80 anos.
Idade maior ou igual a 80 anos integra os critérios de risco do VSG-CRI, por refletir maior vulnerabilidade perioperatória.
- C)Uso crônico de betabloqueador.
Uso crônico de betabloqueador faz parte dos elementos considerados pelo VSG-CRI.
- D)Hemoglobina menor que 12 g/dl.
Hemoglobina menor que 12 g/dl não compõe o VSG-CRI, embora possa ser relevante na avaliação clínica geral.
- E)Doença pulmonar obstrutiva crônica.
Doença pulmonar obstrutiva crônica está entre os critérios associados a maior risco no VSG-CRI.
Gabarito: D
Na avaliação perioperatória de cirurgias vasculares, os escores tradicionais podem “achar” que está tudo sob controle e, na prática, subestimar o risco. Por isso, a Diretriz de Avaliação Cardiovascular Perioperatória da Sociedade Brasileira de Cardiologia - 2024 destaca o VSG Cardiac Risk Index (VSG-CRI), mais ajustado para esse grupo de pacientes, especialmente em cirurgias de aorta abdominal e outros procedimentos vasculares de maior porte. Esse índice leva em conta variáveis clínicas que realmente pesam nesse cenário, como tabagismo, idade muito avançada, doença pulmonar obstrutiva crônica e uso crônico de betabloqueador, entre outros fatores associados a maior probabilidade de evento cardiovascular perioperatório. A lógica é simples: cirurgia vascular é terreno em que o “perfil do paciente” e a “agressão do procedimento” caminham juntos no risco. O ponto-chave da questão é que hemoglobina menor que 12 g/dl não faz parte dos critérios do VSG-CRI na diretriz citada. Anemia pode chamar atenção na avaliação global e até influenciar conduta, mas não integra esse índice específico de risco vascular. Portanto, a alternativa D é a incorreta e, por isso, é o gabarito. Em prova, fique atento a esse tipo de cobrança: a banca mistura fatores clínicos plausíveis com os itens formais do escore. Nem tudo o que aumenta risco perioperatório entrou no índice, e é aí que a questão tenta te fazer escorregar.