As síndromes coronarianas podem estar acompanhadas de elevação da PA, devido a um reflexo desencadeado pelo miocárdio isquêmico. Em consequência, o aumento da resistência vascular periférica eleva a demanda de oxigênio pelo miocárdio. O objetivo é reduzir a pós-carga sem aumentar a frequência cardíaca ou sem reduzir exageradamente a pré-carga, poisisso levaria a um incremento no consumo de oxigênio pelo miocárdio. A meta de pressão arterialsistólica < 140 mmHg (evitar < 120 mmHg) e de pressão arterial diastólica entre 70-80 mmHg deve ser buscada. (Barroso WKS, Rodrigues CIS, Bortolotto LA, Mota-Gomes MA, Brandão AA, Feitosa ADM, et al. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020. Arq. Bras. Cardiol. 2021.) De acordo com as orientações das Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, são medicamentos de primeira linha (grau de recomendação I e nível de evidência A) no controle de emergências hipertensivas associadas a síndromes coronarianas agudas
- A)Esmolol; nitroglicerina; e hidralazina.
Errada, porque inclui hidralazina, que pode causar taquicardia reflexa e aumentar o consumo de oxigênio do miocárdio.
- B)Esmolol; metoprolol; e nitroglicerina.
Certa, pois esmolol, metoprolol e nitroglicerina são opções de primeira linha nas emergências hipertensivas associadas a síndromes coronarianas agudas.
- C)Esmolol; hidralazina; e nitroprussiato de sódio.
Errada, porque hidralazina não é indicada nesse contexto e o nitroprussiato de sódio não é a escolha preferencial em síndrome coronariana aguda.
- D)Nitroglicerina; nifedipina; e nitroprussiato de sódio
Errada, porque nifedipina pode provocar taquicardia reflexa e piorar a isquemia, além de nitroprussiato não ser primeira linha aqui.
- E)Nitroprussiato de sódio; Nitroglicerina; e hidralazina.
Errada, porque nitroprussiato e hidralazina não são fármacos de primeira linha para hipertensão associada à síndrome coronariana aguda.
Gabarito: B
Nas emergências hipertensivas associadas a síndromes coronarianas agudas, a ideia central é baixar a pressão sem fazer o miocárdio trabalhar mais. Se você derruba a pós-carga com excesso de vasodilatação ou acelera a frequência cardíaca, o coração isquêmico agradece? Não. Ele consome ainda mais oxigênio, e aí a situação piora. Por isso, as diretrizes brasileiras de hipertensão arterial (2020) colocam como fármacos de primeira linha, com grau de recomendação I e nível de evidência A, os beta-bloqueadores de ação rápida e a nitroglicerina. O beta-bloqueador reduz frequência, contratilidade e consumo de O2; a nitroglicerina ajuda a reduzir pré-carga e aliviar a isquemia, sem o efeito de taquicardia reflexa que alguns vasodilatadores provocam. Na prática, isso faz toda a diferença em um paciente com infarto ou angina instável e PA elevada: você quer controlar a hemodinâmica com segurança, mantendo PAS abaixo de 140 mmHg, evitando queda excessiva e, de preferência, com PAD entre 70 e 80 mmHg. Em resumo: menos estresse para o miocárdio, mais chance de estabilização. O gabarito B está correto porque reúne esmolol e metoprolol, que são beta-bloqueadores indicados nessa situação, além da nitroglicerina, que é vasodilatadora venosa e útil na síndrome coronariana aguda. Hidralazina, nifedipina e nitroprussiato não são as escolhas de primeira linha nesse cenário específico.