Paciente, 52 anos, com histórico de reações transfusionais febris não hemolíticas e diagnóstico oncológico, foi internado para um procedimento cirúrgico de grande porte, com provável necessidade de transfusão de hemácias. Considerando as melhores práticas para minimizar eventos adversos, sobretudo as reações febris não hemolíticas, qual é a conduta mais apropriada para o preparo das unidades de hemocomponentes destinadas a esse paciente?
- A)Lavar as hemácias para remover proteínas plasmáticas, reduzindo reações alérgicas, mas sem redução significativa da carga leucocitária residual.
Errada, porque a lavagem reduz proteínas plasmáticas e é mais útil nas reações alérgicas, não sendo a melhor medida para diminuir a carga leucocitária.
- B)Realizar uma compatibilização eritrocitária estendida, com foco na prevenção de aloimunização anti-eritrocitária, sem prevenir especificamente reações febris não hemolíticas.
Errada, porque a compatibilização eritrocitária estendida previne aloimunização anti-eritrocitária, mas não é a medida principal para prevenir reação febril não hemolítica.
- C)Efetuar apenas a irradiação dos hemocomponentes, priorizando a prevenção de doença do enxerto contra o hospedeiro, associada à transfusão (DECH-AT); porém, sem impacto direto na diminuição de leucócitos.
Errada, porque a irradiação é indicada para prevenir DECH-AT em situações específicas, mas não reduz de forma relevante os leucócitos residuais nem previne bem febre transfusional.
- D)Realizar a pré-filtração de leucócitos para reduzir a quantidade de leucócitos residuais, diminuindo o risco de reações febris não hemolíticas, aloimunização e transmissão de agentes infecciosos associados aos leucócitos.
Certa, porque a leucorredução por filtração diminui leucócitos residuais e, com isso, reduz reações febris não hemolíticas, aloimunização e alguns riscos infecciosos relacionados aos leucócitos.
Gabarito: D
As reações transfusionais febris não hemolíticas costumam estar ligadas, em grande parte, à presença de leucócitos e seus mediadores no hemocomponente. Por isso, quando o paciente tem histórico desse tipo de reação, a medida mais útil é reduzir ao máximo os leucócitos residuais do sangue que será transfundido. A estratégia clássica é a leucorredução por filtração, que pode ser feita antes da transfusão, deixando as unidades com baixa carga leucocitária. Isso ajuda a diminuir febre, calafrios, aloimunização contra antígenos leucocitários e também o risco de transmissão de alguns agentes associados aos leucócitos. No contexto de um paciente oncológico que vai para cirurgia de grande porte, isso faz bastante sentido, porque ele pode precisar de mais de uma transfusão e já tem um histórico de reação febril. Então, preparar o hemocomponente com redução de leucócitos é uma boa prática preventiva, quase o "pente fino" da transfusão. As medidas citadas nas outras alternativas até têm indicações reais em situações específicas, mas não resolvem o problema principal aqui. Irradiação previne DECH-AT, lavagem ajuda mais em reações alérgicas, e compatibilização estendida é para aloimunização eritrocitária. O foco do caso é reação febril não hemolítica, então a leucorredução é o caminho mais adequado.