A esquistossomose mansônica é uma endemia prevalente em regiões tropicais, especialmente em áreas de saneamento básico precário. É causada pelo Schistosoma mansoni, que tem o caramujo do gênero Biomphalaria como hospedeiro intermediário. Sobre a esquistossomose, assinale a afirmativa correta.
- A)O tratamento da esquistossomose com praziquantel é contraindicado em gestantes devido ao risco de teratogenicidade.
Errada, porque o praziquantel é o tratamento de escolha e não é formalmente contraindicado na gestação por teratogenicidade comprovada.
- B)A transmissão ocorre pela ingestão de água contaminada com cercárias, que penetram ativamente pela mucosa intestinal.
Errada, porque a transmissão ocorre pela penetração ativa das cercárias pela pele, e não pela ingestão de água contaminada.
- C)A hipertensão portal na forma hepatoesplênica resulta da obstrução do sistema porta pelos ovos e pela fibrose de Symmers.
Certa, pois a forma hepatoesplênica cursa com fibrose periportal de Symmers e hipertensão portal causada pela reação aos ovos retidos nos tecidos.
- D)O exame parasitológico de fezes é a principal ferramenta diagnóstica, especialmente nas formas leves e precoces da doença.
Errada, porque o exame parasitológico de fezes é importante, mas pode ter baixa sensibilidade nas infecções leves e nas fases precoces.
- E)A fase aguda da doença é caracterizada por granulomas hepáticos e hipertensão portal, sendo essas manifestações as mais comuns.
Errada, porque granulomas hepáticos e hipertensão portal são achados da fase crônica, não da fase aguda.
Gabarito: C
A esquistossomose mansônica é uma parasitose típica de áreas com saneamento precário, em que a pessoa entra em contato com água doce contaminada pelas formas infectantes do parasita. O detalhe importante é que a cercária não é ingerida: ela penetra ativamente pela pele, o que já derruba uma pegadinha clássica de prova. Depois de atravessar a pele, o Schistosoma mansoni migra, amadurece e deposita ovos. Parte desses ovos fica retida nos tecidos, provocando reação inflamatória e formação de granulomas, que com o tempo levam à fibrose periportal de Symmers. Essa fibrose dificulta a circulação no sistema porta e pode gerar hipertensão portal, especialmente na forma hepatoesplênica. É por isso que a alternativa C está correta: a hipertensão portal decorre da obstrução do fluxo portal pelos ovos e pela fibrose de Symmers, e não de um simples bloqueio mecânico por verme adulto. O quadro crônico é marcado por hepatoesplenomegalia, varizes esofágicas e outras consequências da hipertensão portal, enquanto a fase aguda costuma ter febre, mal-estar e eosinofilia. No diagnóstico, o exame parasitológico de fezes é muito usado e útil, mas a sensibilidade pode cair nas formas leves ou iniciais, exigindo repetição de amostras ou métodos complementares. No tratamento, o praziquantel é a droga de escolha e não é contraindicado de rotina na gestação por teratogenicidade comprovada; a avaliação deve ser individualizada.