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Medicina · CONSULPLAN · 2025

Questão comentada de Medicina

Lucas, 3 anos, foi trazido ao consultório pelo pai, que relatou que o testículo esquerdo da criança nunca foi notado na bolsa escrotal desde o nascimento. Durante a gestação, não houve complicações significativas, mas Lucas nasceu prematuro, com 34 semanas de gestação e peso ao nascer de 2,1 kg. O pai também menciona que a pediatra do hospital comentou que poderia haver “descida espontânea do testículo”, mas até agora isso não aconteceu. Durante o exame físico, observa-se ausência do testículo esquerdo na bolsa escrotal. Palpa-se uma massa na região inguinal esquerda, compatível com testículo não descido. O testículo direito está presente e tem características normais de tamanho e consistência. O restante do exame físico está dentro dos padrões normais. Diante do quadro hipotético, qual é a conduta mais apropriada neste caso?

Gabarito: D

A questão trata de criptorquidia, isto é, testículo que não desceu para a bolsa escrotal. Em lactentes e crianças pequenas, isso importa porque o testículo fora do escroto fica mais sujeito a alterações de temperatura, o que aumenta risco de infertilidade futura e de tumor testicular. Não é um quadro para ficar apenas “olhando de longe” por muitos anos, como se o testículo fosse aparecer do nada com um pouco de boa vontade biológica. O ponto central é que, depois do primeiro ano de vida, a chance de descida espontânea cai muito. Por isso, a conduta recomendada é encaminhar para correção cirúrgica, a orquidopexia, idealmente entre 6 e 18 meses de idade, e no máximo até 2 anos em muitos protocolos. Em uma criança de 3 anos, como no enunciado, a cirurgia já é a medida mais apropriada. A orquidopexia não serve só para “colocar no lugar”. Ela também ajuda no seguimento do testículo, reduz complicações e permite melhor avaliação futura. Mesmo assim, o paciente deve ser orientado sobre os riscos persistentes de subfertilidade e de malignidade, porque o atraso no tratamento aumenta esses desfechos. Em termos doutrinários, isso é o padrão ensinado em Pediatria e Cirurgia Pediátrica, e reflete as recomendações usuais de sociedades especializadas. Por isso, a alternativa correta é a D: encaminhar para cirurgia e discutir os riscos. As outras opções tentam empurrar o problema com a barriga, mas em criptorquidia isso costuma sair caro para o paciente.

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