Durante a conferência de bolsas de concentrado de hemácias em um serviço de hemoterapia, a equipe responsável observa que algumas delas permaneceram a 9°C por, aproximadamente, três horas, em decorrência de uma falha temporária no sistema de refrigeração. Considerando as boas práticas de cadeia do frio em hemoterapia, qual a conduta mais adequada para garantir a qualidade do hemocomponente e a segurança dos pacientes?
- A)Prosseguir com a transfusão das bolsas afetadas nas próximas doze horas, dispensando avaliação ou notificação prévia.
Errada, porque não se pode prosseguir com a transfusão sem avaliar o impacto da falha de temperatura e sem notificação prévia.
- B)Descartar, de imediato, todas as bolsas que tenham sofrido variação de temperatura, independentemente do tempo de exposição.
Errada, porque o descarte imediato e indiscriminado ignora a necessidade de análise técnica do tempo e da intensidade da exposição.
- C)Manter as bolsas na geladeira de uso contínuo, sem registrar a ocorrência, já que a temperatura não ultrapassou 10°C em período prolongado.
Errada, porque ocultar a ocorrência e manter a bolsa em uso contínuo viola rastreabilidade, notificação e controle de qualidade.
- D)Isolar as bolsas afetadas, notificar o serviço de hemoterapia responsável e aguardar avaliação técnica antes de decidir sobre descarte ou reutilização.
Certa, porque a bolsa deve ser isolada, o serviço responsável deve ser comunicado e a liberação ou descarte depende de avaliação técnica.
Gabarito: D
Na hemoterapia, a cadeia do frio é coisa séria: bolsa de concentrado de hemácias não é para ficar “passeando” fora da faixa adequada nem para ser julgada no improviso. Quando ocorre falha de refrigeração, o primeiro passo não é decidir no achismo, e sim conter o problema, identificar quais bolsas foram expostas e preservar a rastreabilidade do evento. Isso protege tanto o hemocomponente quanto o paciente que poderia recebê-lo. No caso descrito, as bolsas ficaram a 9°C por cerca de três horas. Esse desvio de temperatura precisa ser analisado tecnicamente, porque a simples exposição não autoriza nem o uso automático nem o descarte automático. A conduta correta é isolar as bolsas afetadas, comunicar o serviço de hemoterapia e aguardar avaliação técnica para decidir se o hemocomponente ainda atende aos critérios de qualidade e segurança. Esse raciocínio está alinhado às boas práticas em serviços de hemoterapia e ao que se espera dos procedimentos de controle de qualidade e rastreabilidade previstos nas normas sanitárias, como as da ANVISA para hemocomponentes e hemovigilância. Em hemoterapia, evento adverso de armazenamento não se resolve com “deixa quieto” nem com “joga tudo fora” sem critério. Por isso, a alternativa D é a correta: ela reúne isolamento, notificação e avaliação técnica antes de qualquer decisão final. É a postura mais segura e mais profissional, exatamente o que a banca costuma cobrar quando mistura cadeia do frio com segurança transfusional.