O caso clínico hipotético contextualiza a questão. Leia-o atentamente. Mulher, 56 anos, diabética e dislipidêmica, com dor torácica típica iniciada há três horas. Deu entrada no pronto-socorro de hospital com serviço de hemodinâmica estável hemodinamicamente com presença de supra de 2 mm em V1 e V2 revertido após medidas iniciais. Não houve recorrência da dor ou outras alterações eletrocardiográficas e a paciente se manteve estável. De acordo com a Diretriz Europeia (ESC) sobre manejo de síndrome coronariana aguda – 2023, qual a classificação de risco dessa paciente e o tempo para realização do cateterismo cardíaco?
- A)Alto risco; 24 horas.
Correta: supra de ST transitório, com estabilização clínica e sem recorrência, configura alto risco e indica cateterismo em até 24 horas.
- B)Alto risco; 48 horas.
Errada: 48 horas não é a janela recomendada pela ESC 2023 para esse perfil de alto risco.
- C)Muito alto risco; 2 horas.
Errada: 2 horas é para muito alto risco, como instabilidade hemodinâmica, dor refratária ou arritmias graves, o que não ocorreu aqui.
- D)Moderado risco; 72 horas.
Errada: risco moderado costuma permitir estratégia mais tardia, em torno de 72 horas, mas o supra transitório eleva a paciente para alto risco.
- E)Muito alto risco; 24 horas.
Errada: apesar de citar muito alto risco, o tempo de 24 horas não corresponde à conduta dessa categoria na diretriz.
Gabarito: A
Nesta questão, o ponto-chave é diferenciar quem precisa de cateterismo imediato, em poucas horas, e quem pode aguardar até 24 horas. Na Diretriz ESC 2023 para síndrome coronariana aguda sem supra persistente, o grupo de muito alto risco é reservado para situações de instabilidade importante, como choque, dor refratária, arritmias graves, insuficiência cardíaca aguda ou alterações dinâmicas muito preocupantes que persistem ou se repetem. Já o achado de supra de ST transitório, que reverteu após as medidas iniciais, entra como critério de alto risco, e não de muito alto risco. Ou seja, a paciente não ficou instável, não teve recorrência da dor e nem novas alterações eletrocardiográficas. Portanto, o cenário aponta para estratégia invasiva precoce em até 24 horas. Isso é clássico de prova: a banca gosta de misturar um ECG assustador com um desfecho clínico tranquilo. Se o supra desaparece e a paciente estabiliza, você pensa em alto risco e não em emergência de 2 horas. Em resumo: transiente sim, dramático sim, mas não o suficiente para a via expressa do cateterismo imediato. Assim, o gabarito A está correto porque a diretriz classifica esse quadro como alto risco, com indicação de cateterismo em até 24 horas.