A síndrome nefrótica é uma condição caracterizada pela tríade de proteinúria maciça, hipoalbuminemia e edema, frequentemente acompanhada de hiperlipidemia. Em crianças, a síndrome nefrótica primária, especialmente causada pela doença de lesões mínimas, é a forma mais comum. Essa condição apresenta alterações importantes na barreira de filtração glomerular, resultando na perda urinária de proteínas. A hipoproteinemia desencadeia alterações hemodinâmicas que contribuem para o surgimento do edema. Em relação à fisiopatologia e às características clínicas dessa condição, é correto afirmar que:
- A)A hiperlipidemia é secundária a um aumento do catabolismo de lipoproteínas induzido pela hipoalbuminemia.
Errada, porque a hiperlipidemia decorre principalmente de aumento da síntese hepática de lipoproteínas e redução do catabolismo, não apenas de aumento do catabolismo induzido pela hipoalbuminemia.
- B)Na síndrome nefrótica de lesões mínimas, a proteinúria é predominantemente seletiva e composta por albumina.
Certa, porque na doença de lesões mínimas a proteinúria costuma ser seletiva, com predomínio de albumina, o que é típico da síndrome nefrótica infantil.
- C)O edema observado em crianças com síndrome nefrótica decorre, principalmente, do aumento da pressão oncótica intravascular.
Errada, porque o edema ocorre pela diminuição da pressão oncótica intravascular causada pela hipoalbuminemia, e não pelo aumento dessa pressão.
- D)A presença de hematúria microscópica persistente é fundamental para o diagnóstico de síndrome nefrótica primária em crianças.
Errada, porque hematúria microscópica persistente não é fundamental para o diagnóstico de síndrome nefrótica primária na criança.
- E)A profilaxia anticoagulante é recomendada de rotina em todas as crianças com síndrome nefrótica para prevenir eventos trombóticos.
Errada, porque a profilaxia anticoagulante não é indicada de rotina para todas as crianças com síndrome nefrótica, sendo reservada a casos com maior risco trombótico.
Gabarito: B
A síndrome nefrótica em crianças é aquela cena clássica do rim “deixando escapar” proteína demais, principalmente albumina. O resultado é a tríade que cai em prova: proteinúria maciça, hipoalbuminemia e edema, com frequência acompanhada de hiperlipidemia. Na infância, a causa mais comum é a doença de lesões mínimas, que costuma ter bom prognóstico e resposta excelente aos corticoides. O ponto-chave da fisiopatologia é a alteração da barreira de filtração glomerular, especialmente da integridade dos podócitos e das fendas de filtração. Isso faz a proteína passar para a urina. Quando a albumina cai no sangue, a pressão oncótica plasmática diminui, o líquido tende a sair do vaso para o interstício e o edema aparece. Ou seja, o edema vem da queda da pressão oncótica, não do aumento dela. A alternativa B está correta porque, na doença de lesões mínimas, a proteinúria é em geral seletiva, com predomínio de albumina. Esse é um achado clássico da forma mais comum de síndrome nefrótica na criança. Em termos de prova, pense assim: lesão mínima, proteinúria seletiva e resposta a corticoide formam um trio muito cobrado. Vale lembrar que a hiperlipidemia ocorre por aumento da síntese hepática de lipoproteínas e também por redução do catabolismo de lipídios, como tentativa do fígado de compensar a perda proteica. A síndrome nefrótica não exige hematúria como critério diagnóstico, e anticoagulação profilática não é rotina para toda criança, sendo reservada a situações selecionadas de maior risco trombótico.