A realização de Eletrocardiograma (ECG) de 12 derivações é recomendada na avaliação inicial de todos os pacientes comInsuficiência Cardíaca (IC), para avaliarsinais de cardiopatia estrutural como hipertrofia ventricular esquerda, isquemia miocárdica, áreas de fibrose, distúrbios da condução atrioventricular, bradicardia ou taquiarritmias, que podem demandar cuidados e tratamentos específicos. Vários desses aspectos são marcadores prognósticos em muitas cardiopatias. (Comitê Coordenador da Diretriz de Insuficiência Cardíaca. Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda. Arq. Bras. Cardiol. 2018.) De acordo com as orientações da Diretriz citada, NÃO é considerado um marcador de pior prognóstico na avaliação eletrocardiográfica na IC:
- A)Fibrilação atrial.
Fibrilação atrial é associada a pior prognóstico na insuficiência cardíaca, especialmente por aumentar risco de descompensação e eventos tromboembólicos.
- B)Onda T alternante.
A onda T alternante é marcador de instabilidade elétrica e maior risco arrítmico, sendo considerada um sinal de pior prognóstico.
- C)Intervalo QT longo.
Intervalo QT longo se relaciona a maior risco de arritmias malignas e pior evolução clínica, portanto entra como marcador desfavorável.
- D)Bloqueio de ramo esquerdo.
Bloqueio de ramo esquerdo pode refletir cardiopatia estrutural mais avançada e pior função ventricular, tendo valor prognóstico negativo.
- E)Aumento da variabilidade da frequência cardíaca.
A variabilidade da frequência cardíaca aumentada não é marcador de pior prognóstico; na prática, a preocupação maior é com a redução da variabilidade.
Gabarito: E
Na insuficiência cardíaca, o ECG de 12 derivações entra logo na avaliação inicial porque ele ajuda a enxergar pistas de cardiopatia estrutural e de risco arrítmico. A diretriz brasileira de insuficiência cardíaca crônica e aguda (2018) destaca achados como fibrilação atrial, bloqueios de condução, ondas T alternantes, intervalo QT prolongado e bloqueio de ramo esquerdo como sinais associados a pior prognóstico ou a maior complexidade do caso. Em outras palavras, o ECG não serve só para 'ver o ritmo', mas também para estimar gravidade e orientar conduta. O ponto-chave da questão é que nem tudo que aparece no ECG piora prognóstico. O aumento da variabilidade da frequência cardíaca é, em geral, um marcador de maior modulação autonômica e melhor reserva cardiovascular, enquanto a redução da variabilidade é que costuma se associar a pior evolução. Por isso, a alternativa E é a incorreta dentro da lógica da pergunta: ela traz um achado que não é marcador de pior prognóstico na IC. Então, se a banca listar marcadores clássicos de risco, pense em arritmias, distúrbios de condução e alterações de repolarização. Se aparecer algo ligado a maior variabilidade autonômica, desconfie, porque a direção prognóstica costuma ser o contrário do que a questão quer cobrar.