Sobre a condução dos pacientes portadores de doenças tireoidianas, analise as afirmativas a seguir. I. A dosagem sérica do T3 reverso não é solicitada para avaliação de função tireoideana por se tratar de um hormônio inativo. II. Não devem ser solicitadas dosagens séricas de T3 livre e/ou total em pacientes sem suspeita clínica ou diagnóstico de hipertireoidismo ou tireotoxicose. III. A ultrassonografia de tireoide não deve ser solicitada para detecção de nódulos em pacientes sem alterações identificadas ao exame clínico. De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), está correto o que se afirma em
- A)I, II e III
A alternativa reúne as três afirmativas do enunciado. A I está correta porque o T3 reverso é um metabólito biologicamente inativo e, por isso, não integra a avaliação rotineira da função tireoidiana; a II também está correta, pois o T3 livre/total não deve ser pedido sem suspeita clínica de hipertireoidismo ou tireotoxicose, já que o exame de triagem costuma ser a TSH. A III igualmente procede, porque a ultrassonografia não deve ser usada como rastreamento de nódulos em pacientes sem achados ao exame físico, em linha com recomendações da SBEM e de campanhas de uso racional de exames.
- B)I, apenas.
Esta alternativa considera apenas a afirmativa I, que de fato está correta ao dizer que o T3 reverso não é útil para avaliação rotineira da função tireoidiana por ser inativo. O problema é que as afirmativas II e III também estão corretas, então a resposta fica incompleta. Em questões desse tipo, não basta uma proposição estar certa - é preciso contemplar todas as proposições verdadeiras.
- C)I e II, apenas
Aqui se afirma que somente I e II estariam corretas. O conteúdo dessas duas assertivas procede: o T3 reverso não é exame de rotina e o T3 livre/total não deve ser solicitado sem contexto clínico de hipertireoidismo ou tireotoxicose. Contudo, a III também está correta, pois a ultrassonografia não é exame de rastreio para nódulos em pacientes sem alterações no exame clínico, tornando a alternativa incompleta.
- D)I e III, apenas.
A alternativa traz I e III como corretas, e ambas realmente estão de acordo com a prática recomendada: o T3 reverso não serve para avaliação rotineira e a ultrassonografia não deve ser pedida apenas para procurar nódulos sem achados clínicos. O erro é desconsiderar a II, que também é verdadeira ao restringir a dosagem de T3 à suspeita de hipertireoidismo ou tireotoxicose. Assim, a combinação proposta não esgota as afirmativas corretas.
- E)II e III, apenas.
Esta opção seleciona II e III, que efetivamente traduzem condutas adequadas: não se pede T3 livre/total sem suspeita de hipertireoidismo e não se usa ultrassonografia para rastrear nódulos em pacientes sem alteração ao exame físico. Entretanto, a I também está correta, porque o T3 reverso não faz parte da avaliação de função tireoidiana por ser biologicamente inativo. Por isso, a alternativa deixa de fora uma assertiva verdadeira.
Gabarito: A
Na avaliação da tireoide, a ideia é pedir exame com utilidade real, e não sair pesando cada hormônio que aparece na prateleira. O T3 reverso, por ser a forma biologicamente inativa da triiodotironina, não faz parte da investigação de rotina da função tireoidiana. Ele pode até aparecer em situações muito específicas, como doenças graves não tireoidianas, mas não é exame de triagem ou de rotina clínica. A lógica com o T3 livre e o T3 total é parecida: eles não devem ser solicitados de forma indiscriminada. Em geral, são reservados para quando há suspeita de hipertireoidismo ou tireotoxicose, especialmente em casos em que o TSH e o T4 livre não explicam totalmente o quadro. Pedir T3 em paciente sem essa suspeita clínica costuma só aumentar custo e confusão. Quanto à ultrassonografia de tireoide, a SBEM orienta que ela não seja usada como rastreio de nódulos em pessoas sem achados ao exame clínico. Ou seja, sem palpação suspeita, sem aumento glandular, sem assimetria ou outros sinais, o ultrassom vira uma máquina de achar nódulos pequenos e sem relevância, o que pode gerar ansiedade e procedimentos desnecessários. Por isso, as três afirmativas estão corretas. A questão cobra exatamente essa postura mais racional da SBEM: exame complementar deve ser guiado por suspeita clínica, não por curiosidade laboratorial.