O impetigo é uma infecção bacteriana superficial da pele, frequentemente observada em crianças, especialmente na faixa etária de 2 a 5 anos. Essa condição pode ser classificada em duas formas principais – bolhosa e não bolhosa. O impetigo não bolhoso se caracteriza por lesões vesiculares ou pústulas com evolução característica. Já o impetigo bolhoso apresenta bolhas flácidas que se rompem facilmente, deixando áreas erosadas. Sobre o manejo e apresentação do impetigo na faixa pediátrica, assinale a alternativa correta.
- A)A mupirocina tópica é efetiva para casos leves e localizados de impetigo não bolhoso.
Correta: a mupirocina tópica é indicada para casos leves e localizados de impetigo não bolhoso.
- B)A resistência ao tratamento tópico com mupirocina é comum e, por isso, seu uso é contraindicado como terapia inicial.
Errada: a mupirocina não é contraindicada na terapia inicial; ela é justamente uma opção de primeira linha nos casos localizados.
- C)A forma bolhosa do impetigo é mais comum que a não bolhosa e apresenta crostas melicéricas como característica típica.
Errada: a forma mais comum é a não bolhosa, e crostas melicéricas são típicas dela, não da forma bolhosa.
- D)Crianças com impetigo causado por Streptococcus pyogenes podem desenvolver febre reumática como complicação tardia.
Errada: a complicação clássica pós-estreptocócica é glomerulonefrite, não febre reumática.
- E)O tratamento inicial de escolha para impetigo não bolhoso localizado é a administração de antibióticos orais como amoxicilina + clavulanato.
Errada: antibiótico oral não é a escolha inicial para impetigo não bolhoso localizado, que costuma responder bem ao tratamento tópico.
Gabarito: A
O impetigo é uma infecção superficial da pele muito comum na pediatria, geralmente causada por Staphylococcus aureus e, em alguns casos, por Streptococcus pyogenes. A forma não bolhosa é a mais frequente e costuma começar com pequenas vesículas ou pústulas que se rompem e formam as clássicas crostas melicéricas, aquelas crostas amareladas com “cara de mel”. Quando a lesão é localizada e leve, o tratamento costuma ser tópico, e a mupirocina é uma ótima escolha. Ela age bem nas lesões limitadas, reduzindo a carga bacteriana sem precisar expor a criança a antibiótico sistêmico logo de cara. Em quadros mais extensos, múltiplas lesões ou sinais de maior gravidade, aí sim entram antibióticos por via oral. A alternativa A está correta porque descreve exatamente essa conduta: mupirocina tópica para casos leves e localizados de impetigo não bolhoso. É o tipo de questão em que a banca gosta de trocar o básico por uma conduta exagerada, então vale lembrar: lesão pequena e superficial pede tratamento local; disseminação pede mais arsenal. Já um detalhe importante: o impetigo não é conhecido por levar à febre reumática. A complicação clássica pós-estreptocócica que pode aparecer depois é a glomerulonefrite, não a febre reumática. Então, no raciocínio da prova, o que parece “complicação de Streptococcus” nem sempre é a complicação certa.