A definição universal proposta descreve a insuficiência cardíaca como uma síndrome clínica com sintomas e/ou sinais causados por uma anormalidade cardíaca estrutural e/ou funcional e corroborada por níveis elevados de peptídeo natriurético e/ou evidência objetiva de congestão pulmonar bilateral ou sistêmica. Sendo que a abordagem terapêutica deve ser guiada pelo perfil clínico/hemodinâmico, qual perfil não apresenta dados objetivos da descompensação, devendo-se pesquisar outras causas que justifiquem seus sintomas como tromboembolismo pulmonar, exacerbação aguda de DPOC, pneumonia etc.?
- A)PERFIL L (frio e seco).
Incorreta: o perfil L (frio e seco) indica hipoperfusão, portanto há gravidade hemodinâmica e não ausência de descompensação.
- B)PERFIL C (frio e úmido).
Incorreta: o perfil C (frio e úmido) combina hipoperfusão e congestão, sendo um quadro claramente descompensado.
- C)PERFIL A (quente e seco).
Correta: o perfil A (quente e seco) não mostra dados objetivos de congestão ou descompensação cardíaca, então deve-se pesquisar outras causas para os sintomas.
- D)PERFIL B (quente e úmido).
Incorreta: o perfil B (quente e úmido) representa congestão com perfusão preservada, ou seja, há descompensação.
Gabarito: C
Na insuficiência cardíaca descompensada, a conduta fica muito mais elegante quando você separa dois eixos: perfusão (quente ou frio) e congestão (úmido ou seco). Isso ajuda a definir o perfil clínico/hemodinâmico e a entender se a piora vem mesmo da IC ou se existe outra causa dando o show, como TEP, pneumonia ou exacerbação de DPOC. O perfil A é o paciente "quente e seco": perfusão preservada e sem sinais objetivos de congestão. Em outras palavras, ele pode até ter dispneia, fadiga ou outro sintoma, mas não há dados clínicos nem hemodinâmicos de descompensação cardíaca aguda para explicar tudo isso. Por isso, a primeira atitude é pensar em diagnósticos alternativos, e não sair tratando como edema agudo de pulmão sem pensar. Já os perfis B, C e L/Lcold se associam a algum grau de descompensação hemodinâmica e/ou congestiva. O "quente e úmido" é o mais clássico da congestão com perfusão ainda mantida; o "frio e úmido" e o "frio e seco" indicam pior perfusão, com gravidade progressiva. Então, se a pergunta fala em ausência de dados objetivos de descompensação, a resposta é o perfil A. Esse raciocínio é bem alinhado com a abordagem prática recomendada em cardiologia e em diretrizes de insuficiência cardíaca, que usam o perfil hemodinâmico para guiar a terapêutica e decidir se o quadro é realmente de congestão por IC ou se os sintomas vêm de outra causa.