A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma das mais importantes afecções digestivas, tendo em vista as elevadas e crescentes incidências, a intensidade dos sintomas e a gravidade das complicações. Neste contexto foram estabelecidos, em 2021, os Guidelines Clínicos para o Diagnóstico e Tratamento da DRGE (Clinical Guideline for the Diagnosis and Management of Gastroesophageal Reflux Disease – American College of Gastroenterology.). Considerando tais recomendações, analise as afirmativa a seguir. I. Recomenda-se a realização de endoscopia diagnóstica, idealmente após a interrupção dos Inibidores de Bomba de Prótons (IBPs) por 2 a 4 semanas, em pacientes cujos sintomas clássicos de DRGE não respondem adequadamente ao tratamento empírico de 8 semanas com IBPs ou cujos sintomas retornam quando os IBPs são descontinuados. II. Recomenda-se terapia de manutenção com IBP por tempo indeterminado ou cirurgia antirrefluxo para pacientes com esofagite grau C ou D de Los Angeles. III. Em pacientes para os quais o diagnóstico de DRGE é suspeito, mas não está claro, e a endoscopia não mostra nenhuma evidência objetiva de DRGE, recomenda-se que o monitoramento do refluxo com pHmetria seja realizado fora da terapia para estabelecer o diagnóstico. Está correto o que se afirma em
- A)I, II e III.
A alternativa reúne as três condutas alinhadas às recomendações do ACG de 2021 para DRGE. A afirmativa I descreve a endoscopia diagnóstica após suspensão dos IBPs por 2 a 4 semanas em quem não responde ao tratamento empírico ou recidiva ao suspender a medicação; a II indica manutenção indefinida com IBP ou cirurgia antirrefluxo na esofagite erosiva grave (Los Angeles C ou D); e a III orienta pHmetria fora da terapia quando a suspeita clínica persiste, mas a endoscopia não mostra evidência objetiva. Como as três condutas estão corretas no contexto das diretrizes, a alternativa está certa.
- B)I e II, apenas.
Esta opção afirma que apenas as afirmativas I e II estariam corretas. De fato, a I trata da endoscopia após falha terapêutica ou recidiva sem IBP e a II trata da manutenção prolongada na esofagite erosiva grave, ambas compatíveis com o guideline; porém a III também está correta, pois quando a endoscopia é negativa e o diagnóstico permanece duvidoso, o exame de refluxo deve ser feito fora do tratamento para confirmar a DRGE. O erro, portanto, é excluir uma terceira recomendação que também integra as diretrizes.
- C)I e III, apenas.
Aqui se sustenta que as afirmativas I e III seriam as únicas verdadeiras. A I realmente corresponde à indicação de endoscopia diagnóstica após 2 a 4 semanas sem IBP em pacientes sem resposta adequada ou com retorno dos sintomas, e a III também está de acordo com a orientação de realizar monitorização de refluxo off therapy quando a endoscopia não comprova DRGE. O problema é desconsiderar a II, porque a manutenção indefinida com IBP ou a cirurgia antirrefluxo é recomendada nos casos de esofagite grau C ou D de Los Angeles.
- D)II e III, apenas.
A alternativa afirma que apenas as afirmativas II e III estariam corretas. A II está correta ao prever tratamento de manutenção contínuo com IBP ou cirurgia antirrefluxo na esofagite erosiva grave, e a III também está correta ao indicar pHmetria fora da terapia quando a endoscopia não confirma o diagnóstico em um quadro ainda suspeito. O erro é omitir a I, que também é recomendação da ACG: em sintomas típicos refratários ao teste empírico ou que reaparecem após suspender IBP, a endoscopia deve ser feita idealmente após 2 a 4 semanas sem a medicação.
Gabarito: A
A DRGE tem diagnóstico e tratamento guiados pela combinação de clínica, resposta ao IBP e, quando necessário, exames objetivos. O ponto central das diretrizes do American College of Gastroenterology de 2021 é que nem todo paciente com azia precisa sair correndo para a endoscopia, mas alguns cenários pedem investigação mais cuidadosa, especialmente quando os sintomas não melhoram como esperado ou quando há sinais de doença mais avançada. Na afirmativa I, a ideia está correta: se a pessoa tem sintomas típicos de DRGE e não responde bem a 8 semanas de IBP, ou se piora quando o remédio é suspenso, recomenda-se endoscopia diagnóstica, preferencialmente após 2 a 4 semanas sem IBP. Isso ajuda a aumentar a chance de encontrar lesões e evitar um exame “maquiado” pela medicação. A afirmativa II também está certa. Pacientes com esofagite erosiva grave, grau C ou D de Los Angeles, costumam precisar de manutenção com IBP por tempo indeterminado, ou então podem ser considerados para cirurgia antirrefluxo. Aqui o raciocínio é simples: quando a doença já mostrou agressividade, não basta só apagar o incêndio por um tempo e depois largar tudo de novo. A afirmativa III igualmente corresponde ao guideline: quando a suspeita de DRGE existe, mas a endoscopia não mostra evidência objetiva, o exame de escolha para confirmar o diagnóstico é a monitorização de refluxo com pHmetria fora do uso de IBP. Por isso, o gabarito A está correto, porque as três assertivas refletem as recomendações atuais do ACG para diagnóstico e manejo da DRGE.