No tratamento da tuberculose pulmonar (TB), podem ser necessárias algumas mudanças no esquema terapêutico a depender de condições específicas de cada indivíduo. De acordo com o Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil, para pacientes nefropatas, com clearance de creatinina < 30 ml/min, que usarão somente medicamentos do esquema básico no tratamento da TB, de acordo com a utilização de dose fixa combinada, o esquema preconizado consiste em: (Considere: R – Rifampicina; E – Etambutol; H – Isoniazida; Z – Pirazinamida.)
- A)RHZ (2ª a 6ª) e RH (sábado e domingo) durante 2 meses na fase intensiva, seguidos de RH diariamente durante 4 meses na fase de manutenção (considerar o peso para avaliar a quantidade de comprimidos).
Errada, porque mantém um esquema diário na fase intensiva sem o ajuste recomendado para insuficiência renal importante.
- B)RHZ (2ª, 4ª e 6ª) e RH (3ª, 5ª, sábado e domingo) durante 4 meses na fase intensiva, seguidos de RH diariamente durante 2 meses na fase de manutenção (considerar o peso para avaliar a quantidade de comprimidos).
Errada, porque inverte a duração das fases e não corresponde ao esquema preconizado para TB com clearance de creatinina < 30 ml/min.
- C)RHZE (2ª, 4ª e 6ª) e RH (3ª, 5ª, sábado e domingo) durante 4 meses na fase intensiva, seguidos de RH diariamente durante 2 meses na fase de manutenção (considerar o peso para avaliar a quantidade de comprimidos).
Errada, porque inclui etambutol na manutenção e também traz duração/frequência incompatíveis com o manual.
- D)RHZE (2ª, 4ª e 6ª) e RH (3ª, 5ª, sábado e domingo) durante 2 meses na fase intensiva, seguidos de RH diariamente durante 4 meses na fase de manutenção (considerar o peso para avaliar a quantidade de comprimidos).
Certa, pois descreve o ajuste do esquema básico para nefropata com clearance < 30 ml/min, com RHZE 3 vezes por semana na fase intensiva e RH diário na manutenção.
Gabarito: D
Na tuberculose, o esquema básico costuma ser RHZE na fase intensiva e RH na manutenção. Só que, quando o paciente tem insuficiência renal importante, com clearance de creatinina menor que 30 ml/min, a brincadeira muda: alguns fármacos precisam de ajuste, especialmente etambutol e pirazinamida, por terem eliminação renal mais relevante. A lógica é manter o tratamento eficaz, mas sem deixar o rim pagar a conta sozinho. No Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil, para pacientes nefropatas que usarão apenas o esquema básico e com uso de dose fixa combinada, a fase intensiva fica com RHZE em 3 dias da semana e RH nos outros 4 dias, por 2 meses. Isso reduz a exposição semanal aos medicamentos que exigem mais cuidado na insuficiência renal, sem abandonar o controle adequado da infecção. Depois, entra a fase de manutenção com RH diariamente por 4 meses. É a estrutura clássica do tratamento da TB pulmonar sensível, apenas adaptada à condição renal. Aqui está o ponto-chave da questão: o enunciado não quer um esquema qualquer, mas o ajuste específico para clearance < 30 ml/min. Por isso, o gabarito é a letra D. Ela traz exatamente a combinação e a duração esperadas: fase intensiva de 2 meses com RHZE em 3 dias e RH nos demais, seguida de 4 meses de RH diário. É aquele tipo de detalhe de manual que a banca adora cobrar como se fosse um ritual secreto do SUS.