Paciente, 26 anos, sexo feminino, vítima de ferimento por arma branca após episódio de violência doméstica, apresenta quadro de hemiplegia à direita associada à perda da propriocepção consciente. Nota-se, ainda, perda da sensibilidade vibratória à direita, além de perda da sensibilidade térmica e dolorosa à esquerda (em tronco e membros). Tendo em vista que a lesão acometeu a região medular, assinale, a seguir, podemos afirmar que a síndrome que pode acarretar os sintomas descritos é a de:
- A)Weber.
Weber é uma síndrome de tronco encefálico, não medular, e costuma causar paralisia de nervo oculomotor com hemiparesia contralateral.
- B)Horner.
Horner é uma síndrome simpática ocular, com ptose, miose e anidrose, sem o padrão sensitivo-motor medular descrito.
- C)Parinaud.
Parinaud é uma síndrome do mesencéfalo dorsal, com alteração do olhar vertical e sinais oculares, não hemissecção medular.
- D)Brown Sequard.
Correta, porque a hemissecção medular causa déficit motor e de propriocepção do mesmo lado, com perda de dor e temperatura do lado oposto.
Gabarito: D
A síndrome de Brown-Séquard acontece quando há hemissecção da medula espinal, ou seja, uma lesão que pega predominantemente um lado da medula. Isso gera um padrão bem característico: perda motora e perda de propriocepção, vibração e sensibilidade tátil fina do mesmo lado da lesão, porque essas vias sobem no mesmo lado da medula. Já a dor e a temperatura cruzam logo ao entrar na medula, então a perda dessas sensibilidades aparece do lado oposto abaixo do nível da lesão. No caso da questão, a paciente tem hemiplegia à direita, com perda de propriocepção consciente e sensibilidade vibratória à direita, além de perda de dor e temperatura à esquerda em tronco e membros. Esse desenho é praticamente o retrato clássico de Brown-Séquard. Em trauma por arma branca, essa síndrome é um clássico de prova, porque a lâmina pode lesar um hemicordão medular. Em resumo: motor e coluna dorsal do mesmo lado, dor e temperatura do lado oposto. Simples, feio e muito cobrado. Não há fundamento legal aqui, mas do ponto de vista doutrinário e neurológico esse é o padrão ensinado nos tratados de semiologia neurológica e neuroanatomia clínica.