O trecho a seguir contextualiza a questão. Durante o atendimento de determinado paciente com suspeita de Acidente Vascular Encefálico (AVE), deve-se avaliar o início preciso das manifestações neurológicas e seu curso. O deficit neurológico focal de instalação súbita indica a possibilidade de AVE. Nos pacientes com o diagnóstico de AVE isquêmico e indicação de trombólise, inicialmente, devem ser excluídos aqueles que apresentem alguma contraindicação ao procedimento. De acordo com as recomendações do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Acidente Vascular Cerebral Isquêmico Agudo, do Ministério da Saúde, são consideradas contraindicações à trombólise, EXCETO:
- A)Uso de antiagregante plaquetário.
Errada como contraindicação, porque o uso de antiagregante plaquetário isolado não impede a trombólise no AVC isquêmico agudo.
- B)Histórico de hemorragia intracraniana.
Correta como contraindicação, pois histórico de hemorragia intracraniana aumenta muito o risco de novo sangramento com trombólise.
- C)Realização de cirurgia de grande porte nos últimos quatorze dias.
Correta como contraindicação, já que cirurgia de grande porte recente eleva o risco hemorrágico do procedimento.
- D)Resolução completa espontânea imediata ou área de hipodensidade precoce à tomografia computadorizada (sugestiva de área isquêmica aguda) com acometimento maior do que um terço do território da artéria cerebral média.
Correta como contraindicação, porque hipodensidade precoce extensa na TC sugere infarto agudo grande e maior chance de transformação hemorrágica.
Gabarito: A
Na trombólise do AVC isquêmico, o primeiro passo é pensar em segurança: nem todo paciente com déficit súbito pode receber alteplase. O protocolo do Ministério da Saúde, alinhado às diretrizes usuais de AVC, lista situações que aumentam muito o risco de sangramento e, por isso, exigem exclusão antes do procedimento. Entre as contraindicações clássicas estão hemorragia intracraniana prévia, cirurgia de grande porte recente e sinais de infarto extenso na tomografia, porque isso eleva bastante a chance de transformação hemorrágica. Se a imagem já mostra área hipodensa ampla, especialmente acima de um terço do território da artéria cerebral média, a trombólise tende a ser evitada. Já o uso de antiagregante plaquetário, por si só, não impede a trombólise. Esse é o ponto da questão: muita gente acha que qualquer remédio “afinando o sangue” barra o tratamento, mas não é assim. Antiplaquetário isolado não é contraindicação absoluta no AVC isquêmico agudo. Então, o gabarito A está correto porque apenas o uso prévio de antiagregante não entra na lista de contraindicações ao procedimento. As demais alternativas descrevem situações que realmente exigem cautela ou exclusão da trombólise, conforme o protocolo clínico do SUS.