Paciente, sexo feminino, 61 anos, com episódios frequentes de cefaleia bilateral moderada com duração de 3 a 4 horas, que a faz despertar durante o sono e nunca ocorrem durante o dia. Tais episódios ocorrem em uma frequência de 10 a 12 dias por mês, nos últimos 6 meses. Paciente nega sintomas autonômicos ou inquietação durante os episódios e apresenta o exame físico normal. Assinale, a seguir, o diagnóstico provável para o quadro com um respectivo tratamento profilático indicado.
- A)Cefaleia hípnica; cafeína.
Correta: o quadro é típico de cefaleia hípnica e a cafeína é uma medida profilática clássica.
- B)Cefaleia tensional; amitriptilina.
Errada: cefaleia tensional não é exclusiva do sono e amitriptilina seria uma opção profilática, mas não explica esse padrão noturno típico.
- C)Migrânea esporádica; melatonina.
Errada: migrânea esporádica não costuma ocorrer apenas durante o sono, e a melatonina não é a associação clássica do quadro descrito.
- D)Cefaleia em salvas; oxigenioterapia.
Errada: cefaleia em salvas costuma ter dor unilateral intensa, sinais autonômicos e inquietação, além de tratamento agudo com oxigênio, não esse perfil clínico.
Gabarito: A
A cefaleia hípnica é aquela que aparece quase como um “despertador ruim”: ocorre exclusivamente durante o sono, costuma acordar o paciente e pode durar de minutos até algumas horas. Ela é mais comum após os 50 anos, pode ser bilateral, e geralmente não vem acompanhada de sintomas autonômicos, como lacrimejamento ou congestão nasal, nem de inquietação importante. Isso já afasta, por exemplo, cefaleia em salvas, que costuma ser muito mais dramática e com sinais autonômicos marcantes. No caso descrito, a paciente tem 61 anos, crises frequentes, bilaterais, de 3 a 4 horas, sempre noturnas, sem ocorrência diurna, com exame físico normal. Esse padrão é praticamente o retrato clássico da cefaleia hípnica. Na prática, o diagnóstico é clínico e depende muito do padrão temporal do sintoma. A literatura de cefaleias da ICHD-3 reconhece esse quadro como uma entidade própria, típica do sono, especialmente em idosos. Quanto ao tratamento profilático, a cafeína é uma opção tradicional e bastante cobrada em prova. Muitas vezes ela é usada à noite, antes de dormir, justamente para reduzir ou impedir os despertares dolorosos. Outras opções descritas em neurologia incluem lítio e indometacina, mas a banca aqui mirou na conduta mais clássica e simples: cafeína. Então, o gabarito A está correto porque junta o diagnóstico certo com a profilaxia esperada para esse tipo de cefaleia noturna exclusiva do sono. Em prova, sempre desconfie de quadros “bonitos demais” com autonomia de sinais autonômicos, porque isso costuma apontar para outra cefaleia primária.