Síncope é definida como a perda repentina da consciência e do tônus postural, resultante de uma disfunção cerebral difusa, devido à má perfusão encefálica. O episódio sincopal é transitório e seguido de recuperação espontânea da consciência. A perda repentina da consciência em crianças é um acontecimento inesperado, que gera preocupação em pais, pacientes, professores e médicos. Sobre a síncope na infância/adolescência, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A)A síncope neuronalmente mediada é a causa mais comum de desmaio em crianças e adolescentes, respondendo por mais de 80% das síncopes na infância.
Certa, porque a síncope neuronalmente mediada é a causa mais comum de desmaio em crianças e adolescentes.
- B)A síncope em criança com doença cardíaca estrutural, incluindo os pacientes que sofreram reparação cirúrgica da lesão, é causada por arritmias, até que se prove o contrário.
Certa, pois em criança com cardiopatia estrutural a síncope deve ser considerada arrítmica até prova em contrário.
- C)O distúrbio metabólico como causa de síncope é extremamente comum. Nos casos de hipoglicemia,sintomas que precedem o evento sincopal incluem: fome, sudorese, tontura e agitação não relacionadas à postura corporal.
Errada, porque distúrbio metabólico não é causa extremamente comum de síncope, e hipoglicemia não explica a maioria dos casos.
- D)A síncope neurocardiogênica é a forma mais comum de síncope autonômica. Após experiência que gere ansiedade, medo ou dor há aumento do tônus simpático do paciente. O mesmo pode ocorrer se houver mudança brusca de decúbito supino para ortostático.
Certa, porque a síncope neurocardiogênica é a forma mais comum de síncope autonômica e pode ser desencadeada por emoção, dor ou mudança postural.
Gabarito: C
A síncope na infância e na adolescência costuma assustar muito, mas a boa notícia é que, na maioria das vezes, ela tem causa benigna. O tipo mais frequente é a síncope reflexa ou neurocardiogênica, também chamada de síncope neuronalmente mediada, que responde pela grande maioria dos casos. Ela pode aparecer depois de dor, medo, emoção forte, calor, jejum prolongado ou mudança postural, quando ocorre queda transitória da perfusão cerebral. Na avaliação, o ponto principal é separar a síncope benigna das causas com risco cardíaco. Se a criança tem cardiopatia estrutural, inclusive após correção cirúrgica, deve-se pensar em arritmia até prova em contrário, porque esse grupo merece atenção especial. Isso é um clássico de prova: história, exame físico e ECG bem feitos valem ouro. A alternativa C está errada porque distúrbio metabólico não é causa extremamente comum de síncope. Hipoglicemia pode até simular ou causar perda de consciência, mas costuma vir com sinais de alarme como fome, sudorese, tremor, tontura e agitação, e não é a explicação habitual para a síncope típica da criança. Em outras palavras, a banca trocou uma causa rara por uma impressão de frequência exagerada. Já a síncope neurocardiogênica tem exatamente esse perfil: gatilhos emocionais ou ortostáticos, aumento inicial do tônus simpático e, em seguida, uma resposta reflexa com queda de frequência cardíaca e/ou vasodilatação, levando ao desmaio transitório. É o famoso "apagão breve e recuperação espontânea", sem drama prolongado.