Dentre as principais causas de cegueira legal se encontra uma doença conhecida como Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI). A DMRI é caracterizada por um processo degenerativo do epitélio pigmentar da retina, que passa a acumular restos celulares e lipídicos que antes eram metabolizados fisiologicamente; essas são as famosas drusas. Qual o local anatômico de depósito desses debris celulares conhecidos como drusas?
- A)Camadas internas da retina neurossensorial.
Errada, porque as drusas não se depositam nas camadas internas da retina neurossensorial, mas na interface sub-retiniana do epitélio pigmentar com a membrana de Bruch.
- B)Camadas externas da retina neurossensorial.
Errada, porque a retina neurossensorial externa pode ser afetada secundariamente, mas o depósito típico das drusas não ocorre dentro de suas camadas.
- C)Abaixo do epitélio pigmentar da retina – entre ele e a membrana de Bruch.
Certa, porque as drusas se acumulam abaixo do epitélio pigmentar da retina, entre ele e a membrana de Bruch.
- D)Acima do epitélio pigmentar da retina – entre ele e a retina neurosensorial.
Errada, porque o depósito não é acima do epitélio pigmentar, entre ele e a retina neurossensorial.
Gabarito: C
A DMRI é uma causa clássica de perda visual central em idosos e aparece, na forma inicial ou intermediária, com as famosas drusas. Essas drusas são depósitos de material celular e lipídico que se acumulam na região de transição entre a retina e o seu suporte, e isso ajuda a entender por que a doença compromete a mácula e a visão fina, como leitura e reconhecimento de rostos. O ponto anatômico importante aqui é que as drusas ficam abaixo do epitélio pigmentar da retina, exatamente entre o epitélio pigmentar e a membrana de Bruch. Pense nesse espaço como uma “zona de acúmulo” onde resíduos se depositam quando a limpeza e a renovação tecidual falham. Em prova, essa localização é o detalhe que separa quem reconhece a DMRI de quem cai na armadilha anatômica. Por isso, o gabarito é a letra C. Não se trata de depósito na retina neurossensorial propriamente dita, nem acima do epitélio pigmentar. O nome técnico que costuma aparecer em livros e provas é: drusas sub-RPE, isto é, abaixo do epitélio pigmentar da retina, entre o RPE e a membrana de Bruch. Doutrinariamente, isso é bem cobrado na descrição morfológica da DMRI, porque a fisiopatologia da doença depende da alteração dessa interface entre epitélio pigmentar e membrana de Bruch, com impacto direto na nutrição e na troca metabólica da retina externa.