Pacientes com hemorragia digestiva aguda alta normalmente se apresentam com hematêmese (vômitos com sangue vivo, coágulos ou escuro) e/ou melena (fezes pretas, pastosas e com odor fétido). Nos casos de sangramentos profusos, pode se apresentar como enterorragia (sangue vivo ou coágulos exteriorizados pelo reto). Deve-se realizar transfusão sanguínea se a hemoglobina estiver abaixo de 7 g/dL para maioria dos pacientes ou se estiver abaixo de 9 g/dL para aqueles pacientes com:
- A)Hepatopatia.
Hepatopatia pode aumentar o risco de sangramento, mas não é a exceção clássica que muda o limiar para transfusão para 9 g/dL.
- B)Imunodepressão.
Imunodepressão não altera, por si só, o ponto de corte transfusional nesse cenário de hemorragia digestiva alta.
- C)Insuficiência renal crônica.
Insuficiência renal crônica pode coexistir com anemia, mas não é o critério cobrado para elevar o limiar para 9 g/dL aqui.
- D)Doença arterial coronariana instável.
Correta, porque a doença arterial coronariana instável exige maior cuidado com a oferta de oxigênio e costuma justificar transfusão com hemoglobina abaixo de 9 g/dL.
Gabarito: D
Na hemorragia digestiva alta, a ideia principal é corrigir a perda sanguínea sem transfundir demais, porque transfusão em excesso pode piorar desfechos. Por isso, a regra geral é manter uma estratégia restritiva: transfundir quando a hemoglobina estiver abaixo de 7 g/dL na maioria dos pacientes estáveis. Mas nem todo paciente aguenta essa mesma meta com tranquilidade. Em pessoas com risco cardiovascular importante, especialmente quando há doença arterial coronariana instável, o coração já está sofrendo para receber oxigênio. Se a hemoglobina cai muito, a oferta de oxigênio fica ainda pior e aumenta o risco de isquemia miocárdica. Por isso, nesses casos, a transfusão costuma ser indicada com limiar mais alto, em torno de 9 g/dL. É uma exceção clássica cobrada em prova: a banca quer que você saiba que o paciente cardiopata instável não entra na mesma faixa restritiva da maioria. Então o gabarito é a letra D, porque a doença arterial coronariana instável é a condição que justifica transfundir com hemoglobina abaixo de 9 g/dL. As demais alternativas não são a indicação clássica específica para esse corte transfusional na hemorragia digestiva alta.