A cirurgia de catarata é um dos procedimentos cirúrgicos mais realizados no mundo. Em olhos com cumprimentos extremos, como alta miopia ou alta hipermetropia, deve-se estar atento às principais complicações, a fim de tentar previni-las e realizar o correto manejo, quando necessário. Em pacientes com nanophthalmos, qual a complicação intraoperatória mais comum durante a cirurgia de catarata?
- A)Endoftalmite.
Errada, porque endoftalmite é uma complicação infecciosa pós-operatória, não a complicação intraoperatória mais comum no nanophthalmos.
- B)Astigmatismo irregular.
Errada, porque astigmatismo irregular pode ocorrer após cirurgias oculares, mas não é a principal complicação intraoperatória esperada nesse contexto.
- C)Síndrome da efusão uveal.
Certa, porque a síndrome da efusão uveal é a complicação mais associada ao nanophthalmos durante a cirurgia de catarata.
- D)Descolamento regmatogênico de retina.
Errada, porque descolamento regmatogênico de retina é uma complicação possível em olhos com alto risco retiniano, mas não é a mais comum intraoperatória no nanophthalmos.
Gabarito: C
A catarata em olhos de comprimento extremo exige um cuidado extra, porque a anatomia foge bastante do “olho padrão”. No nanophthalmos, o globo ocular é pequeno, a esclera costuma ser espessa e a drenagem do fluido intraocular pode ser mais difícil. Isso faz com que a cirurgia de catarata seja tecnicamente mais desafiadora e com maior risco de complicações intraoperatórias e pós-operatórias. A principal complicação intraoperatória nesse cenário é a síndrome da efusão uveal, que ocorre quando há saída de fluido através da coroide e do espaço supracoroidal, favorecida pela anatomia compacta do olho e pela alteração das pressões intraoculares. Em outras palavras, o olho “reclama” da cirurgia com bastante edema e instabilidade estrutural. É um clássico dos olhos muito pequenos, especialmente no nanophthalmos. Na prática, isso importa porque a efusão uveal pode levar a câmara anterior rasa, aumento de pressão e dificuldade técnica durante a facoemulsificação. O manejo envolve prevenção cuidadosa, controle da pressão intraocular e, em casos selecionados, medidas cirúrgicas adicionais para reduzir o risco de descompensação. Então, se a questão fala em nanophthalmos e pergunta a complicação intraoperatória mais comum na cirurgia de catarata, pense logo em efusão uveal. As demais alternativas até podem aparecer em cenários oftalmológicos, mas não são a complicação típica mais associada a esse tipo de olho pequeno e “sensível”.