Paciente, sexo masculino, 16 anos, portador de diabetes mellitus tipo 1, apresenta quadro de poliúria, polidipsia, perda de peso, náuseas, dor abdominal e vômitos; evoluindo com sonolência e torpor. Após avaliação inicial foi feita a hipótese diagnóstica de cetoacidose diabética (CAD). De acordo com as orientações das Diretrizes sobre o Diagnóstico e Tratamento da Cetoacidose Diabética da Sociedade Brasileira de Diabetes, são considerados critérios diagnósticos para a CAD, EXCETO:
- A)pH venoso < 7,3.
Correta, porque pH venoso abaixo de 7,3 é um dos critérios laboratoriais de acidose na cetoacidose diabética.
- B)Cetonemia ≥ 3 mmol/L.
Correta, porque cetonemia >= 3 mmol/L indica presença relevante de corpos cetônicos, compatível com CAD.
- C)Lactato arterial > 2,0 mmol/L.
Errada, porque lactato arterial > 2,0 mmol/L não é critério diagnóstico de cetoacidose diabética; isso sugere outra causa de acidose.
- D)Glicemia acima de 200 mg/dL.
Correta, porque hiperglicemia acima de 200 mg/dL faz parte dos critérios usados para CAD nas diretrizes citadas.
Gabarito: C
A cetoacidose diabética (CAD) é uma urgência clássica no diabetes tipo 1, especialmente em jovens, e costuma chegar com aquele combo nada simpático: poliúria, polidipsia, emagrecimento, náuseas, dor abdominal, vômitos e, se piorar, sonolência ou torpor. O raciocínio é: falta insulina, sobra glicose no sangue, o corpo passa a quebrar gordura, e aí surgem os corpos cetônicos, deixando o sangue ácido. Pelas orientações da Sociedade Brasileira de Diabetes, o diagnóstico de CAD se apoia em hiperglicemia geralmente acima de 200 mg/dL, acidose metabólica com pH venoso abaixo de 7,3 e presença de cetonemia/cetonúria, com cetonemia em geral >= 3 mmol/L. Em muitas questões, a banca cobra exatamente esses pilares como critérios diagnósticos. O ponto-chave da questão é que lactato arterial elevado não faz parte dos critérios diagnósticos de CAD. O lactato pode subir em outras situações, como hipoperfusão, sepse ou esforço metabólico, mas não define cetoacidose diabética. Então, quando a alternativa mistura um dado de acidose láctica com CAD, ela quer te testar na troca de uma causa de acidose por outra. Resumo de prova: CAD = hiperglicemia + acidose + cetonas. Se aparecer lactato como se fosse critério diagnóstico, pode desconfiar: ele pode até coexistir, mas não é o marcador que fecha a CAD.