O quadro clínico da retocolite ulcerativa (RCU) depende da extensão da doença e da sua gravidade. Antes de iniciar o tratamento da RCU é recomendável, sempre que possível, obter os dados relacionados à atividade e à extensão da doença. A correta avaliação dos pacientes servirá de orientação para a melhor abordagem terapêutica a ser instituída em cada caso. (Diretriz sobre a Retocolite Ulcerativa – Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal do Brasil – GEDIIB, Federação Brasileira de Gastroenterologia – FBG e Sociedade Brasileira de Coloproctologia – SBPC.) De acordo com as recomendações da Diretriz citada, sobre o uso dos aminossalicilatos no tratamento da RCU, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A)A mesalazina associa-se a menos eventos adversos se comparada à sulfassalazina.
Certa: a mesalazina costuma ter menos eventos adversos do que a sulfassalazina, principalmente por não carregar o componente sulfapiridínico.
- B)A terapia de primeira linha para colite esquerda com atividade leve-moderada é a combinação de mesalazina oral e tópica.
Certa: na colite esquerda leve a moderada, a combinação de mesalazina oral e tópica é recomendada como terapia de primeira linha.
- C)Na colite distal, o uso de corticosteroide por via retal é superior ao do 5-ASA por via retal na indução da melhora sintomática e da remissão.
Errada: na colite distal, o 5-ASA por via retal é superior ao corticosteroide retal para induzir melhora e remissão.
- D)Doses superiores ou iguais a 2 g/dia de derivados de 5-ASA na prevenção de recidiva em pacientes com RCU quiescente são mais eficazes que doses inferiores a 2,0 g/dia.
Certa: na prevenção de recidiva em RCU quiescente, doses de 5-ASA iguais ou superiores a 2 g/dia são mais eficazes do que doses menores.
Gabarito: C
Na retocolite ulcerativa, a escolha do aminossalicilato depende de onde a doença está e de quao ativa ela se encontra. Quanto mais distal a inflamação, mais sentido faz usar formulações tópicas, porque o remédio vai direto ao alvo sem precisar fazer “turismo intestinal”. A mesalazina costuma ser preferida à sulfassalazina porque tende a causar menos eventos adversos, principalmente os ligados ao componente sulfapiridínico da sulfassalazina. Isso é bem cobrado em prova: mesma família, perfil de tolerabilidade diferente. Na colite esquerda leve a moderada, a diretriz recomenda a combinação de mesalazina oral e tópica como primeira linha, pois associa ação sistêmica e local, melhorando a chance de resposta. Já na manutenção da remissão, doses adequadas de 5-ASA ajudam a reduzir recaídas, com melhor efeito em doses maiores do que em doses baixas. O item C está errado porque, na colite distal, o 5-ASA por via retal é superior ao corticosteroide retal para induzir melhora sintomática e remissão. Ou seja, a banca inverteu a hierarquia terapêutica. Na prática e nas diretrizes, o reto gosta mais de mesalazina do que de corticoide quando o objetivo é induzir remissão.