O eletrocardiograma (ECG) de 12 derivações é a primeira ferramenta diagnóstica no manejo de pacientes com síndrome coronariana aguda suspeita. Sobre a aplicação do exame nesse contexto, de acordo com as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, assinale a afirmativa correta.
- A)Alterações do segmento ST e da onda T são específicas das síndromes coronarianas agudas.
Errada, porque alterações de ST e onda T são sugestivas, mas não específicas de síndrome coronariana aguda, podendo ocorrer em outras condições.
- B)Um eletrocardiograma sem elevação do segmento ST nas derivações anteriores exclui a hipótese de oclusão da artéria circunflexa.
Errada, porque a oclusão da artéria circunflexa pode não aparecer nas derivações anteriores e pode passar despercebida no ECG convencional.
- C)As derivações V3R-V4R, V7-V9 devem ser realizadas em pacientes que permanecem sintomáticos e apresentam ECG de 12 derivações não diagnóstico.
Certa, pois as derivações V3R-V4R e V7-V9 devem ser feitas em pacientes sintomáticos com ECG de 12 derivações não diagnóstico, conforme a abordagem recomendada pelas diretrizes.
- D)Idealmente, o eletrocardiograma deve ser realizado em até trinta minutos após a chegada do paciente ao hospital e repetido nos casos não diagnosticados, pelo menos uma vez, em até 24h.
Errada, porque o ECG deve ser realizado o quanto antes, idealmente em até 10 minutos da chegada, e repetido em série quando a suspeita persiste, não apenas em até 24 horas.
Gabarito: C
No contexto de síndrome coronariana aguda, o ECG de 12 derivações é a porta de entrada, mas ele não conta toda a história sozinho. Ele pode vir normal no começo, pode mostrar alterações discretas e, às vezes, a artéria culpada fica “escondida” em áreas que o traçado padrão não enxerga bem. Por isso, as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia recomendam complementar o exame com derivações especiais quando o paciente segue sintomático e o ECG inicial não fecha o diagnóstico. É exatamente aí que entram as derivações V3R-V4R, para pesquisar acometimento de ventrículo direito, e V7-V9, para investigar parede posterior. Isso ajuda a identificar infarto que pode passar batido no ECG convencional, especialmente quando não há supra de ST evidente nas 12 derivações. Então, a alternativa C está correta porque descreve a conduta indicada pela diretriz: paciente ainda com sintomas + ECG de 12 derivações não diagnóstico = pedir derivações adicionais. Em prova, isso costuma cair como “o ECG normal não exclui SCA”, ou seja, o traçado ajuda muito, mas não faz milagre sozinho. As demais alternativas erram ao exagerar a especificidade do ECG ou ao restringir demais a possibilidade de oclusão coronariana. Na prática, o eletrocardiograma precisa ser feito rápido e repetido se a suspeita continuar, porque infarto nem sempre aparece de cara.