O exame físico é o primeiro recurso utilizado para avaliação anatômica da Estenose Mitral (EM). Pacientes com EM discreta a moderada poderão já apresentar estalido de abertura da valva mitral e sopro diastólico em ruflar mitral, com formato em decrescendo, com início logo após o estalido. Nos pacientes com ritmo sinusal, o sopro apresenta um reforço pré-sistólico no final da diástole. NÃO corresponde a uma característica etiológica da EM de origem reumática:
- A)Comprometimento do aparelho subvalvar.
Correta, porque o comprometimento do aparelho subvalvar, com cordas espessadas e fusionadas, é achado típico da estenose mitral reumática.
- B)Fusão comissural, espessamento de cúspides.
Correta, pois a fusão comissural e o espessamento das cúspides são alterações morfológicas clássicas da etiologia reumática.
- C)> 90% dos casos nos países em desenvolvimento.
Correta, porque a estenose mitral reumática continua sendo muito prevalente em países em desenvolvimento, onde a doença reumática ainda tem grande impacto.
- D)Abertura em cúpula da cúspide posterior e redução da mobilidade da cúspide anterior.
Errada, pois essa descrição não corresponde ao padrão anatômico clássico da estenose mitral de origem reumática, que costuma ter deformidade e mobilidade reduzida das cúspides com abertura em cúpula.
Gabarito: D
A estenose mitral reumática é a forma clássica da doença valvar mitral em muitos países em desenvolvimento. Ela surge, em geral, após febre reumática e costuma deixar um conjunto bem típico de marcas anatômicas: fusão comissural, espessamento e retração das cúspides, além de comprometimento do aparelho subvalvar com encurtamento e fusão das cordas tendíneas. Na ausculta, isso conversa com o estalido de abertura e o sopro diastólico em ruflar, que podem aparecer mesmo em casos discretos a moderados. O ponto-chave da questão está em reconhecer o que é típico da origem reumática e o que foge desse padrão. Na doença reumática, a valva tende a ficar rígida e deformada, com mobilidade reduzida das cúspides, especialmente da anterior, e abertura em formato de cúpula. Já a cúspide posterior não é a protagonista dessa abertura em cúpula como descrito na alternativa D, que aponta um padrão anatômico incompatível com a descrição clássica da estenose mitral reumática. Por isso, a alternativa D é a incorreta. As demais alternativas trazem achados bem associados à etiologia reumática: aparelho subvalvar comprometido, fusão comissural, espessamento de cúspides e predominância da doença em regiões com maior carga de febre reumática, especialmente países em desenvolvimento. Em resumo: pense em valva mitral reumática como uma estrutura que ficou “colada, grossa e travada”. Quando a banca descreve algo que não combina com esse padrão morfológico, é aí que mora a resposta certa da questão.