Em relação às lesões do plexo braquial e dos nervos periféricos, assinale a afirmativa correta.
- A)As lesões do tipo neuropraxia raramente apresentam recuperação.
Errada, porque a neuropraxia é justamente a lesão com melhor prognóstico e recuperação geralmente completa.
- B)Neuropraxia é a lesão com degeneração periférica e alteração estrutural.
Errada, porque a neuropraxia não tem degeneração periférica nem alteração estrutural importante do axônio.
- C)Neurotmese é a separação completa do nervo, com desorganização do axônio.
Certa, pois a neurotmese corresponde à secção completa do nervo, com perda da continuidade e desorganização axonal.
- D)Axonotmese trata-se da lesão sem perda de continuidade axonal e com perda da célula de Schawnn.
Errada, porque a axonotmese envolve perda da continuidade axonal, e não preservação dela.
Gabarito: C
As lesões dos nervos periféricos costumam ser cobradas pela classificação clássica de Seddon: neuropraxia, axonotmese e neurotmese. A ideia é simples: quanto mais “raspada” a lesão, melhor a chance de recuperação espontânea; quanto mais completa a interrupção, pior o prognóstico. Na neuropraxia, há bloqueio temporário da condução, sem rompimento do axônio, e a recuperação costuma ser boa. Já na axonotmese, o axônio se rompe, mas as estruturas de sustentação do nervo ficam preservadas em parte, o que permite regeneração. Na neurotmese, o nervo é seccionado de forma completa, com desorganização total da estrutura nervosa, exigindo, em geral, abordagem cirúrgica. Por isso o gabarito é a letra C: neurotmese é a separação completa do nervo, com desorganização do axônio. É a lesão mais grave da classificação e a que menos tem recuperação espontânea. Em termos práticos, pense assim: neuropraxia é o “susto”, axonotmese é o “estrago com possibilidade de refazer o caminho”, e neurotmese é o “corte mesmo”, sem conexão útil. A prova gosta muito de trocar os conceitos de lugar, então vale memorizar a lógica: neuropraxia não rompe axônio; axonotmese rompe axônio, mas preserva parte da estrutura de suporte; neurotmese rompe tudo. Essa classificação é doutrinária e clássica na neurologia periférica e na ortopedia/traumatologia, especialmente em trauma do plexo braquial e nervos periféricos.