Os betabloqueadores (BB) são considerados fármacos de primeira linha no tratamento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr), pois determinam diversos benefícios clínicos, incluindo melhora dossintomas e redução nastaxas de re‑hospitalizações por insuficiência cardíaca em inúmeros estudos clínicos. De acordo com as orientações da Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda, sobre o uso dos BB no tratamento da ICFEr, é INCORRETO afirmar que:
- A)Pacientes asmáticos e com outras pneumopatias não podem ser tratados com BB.
Errada, porque asma e outras pneumopatias não representam contraindicação absoluta para todo betabloqueador; o uso pode ser possível em casos selecionados, com cautela.
- B)Recomenda-se o uso de bisoprolol, carvedilol ou succinato de metoprolol para disfunção sintomática de ventrículo esquerdo, visando à redução da morbidade e mortalidade.
Certa, pois bisoprolol, carvedilol e succinato de metoprolol são os betabloqueadores recomendados na ICFEr para reduzir morbidade e mortalidade.
- C)Os benefícios esperados com o uso de BB podem se tornar aparentes apenas após vários meses de uso e, em alguns pacientes, ocorrer tardiamente, após doze meses.Os benefícios esperados com o uso de BB podem se tornar aparentes apenas após vários meses de uso e, em alguns pacientes, ocorrer tardiamente, após doze meses.
Certa, já que os benefícios dos betabloqueadores podem demorar meses para aparecer e, em alguns pacientes, tornar-se mais nítidos até após 12 meses.
- D)Na presença de bloqueios atrioventriculares, deve-se, primeiramente, reduzir ou suspender outros fármacos que atuem no nodo atrioventricular, como digoxina e amiodarona.
Certa, porque diante de bloqueio atrioventricular deve-se primeiro revisar e suspender ou reduzir outros fármacos que deprimem o nodo AV, como digoxina e amiodarona.
Gabarito: A
Os betabloqueadores são peças-chave na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, porque reduzem ativação simpática excessiva, melhoram sintomas e diminuem mortalidade. Na prática, os mais clássicos e recomendados na ICFEr são bisoprolol, carvedilol e succinato de metoprolol, sempre com início em dose baixa e titulação lenta, porque o coração não gosta de sustos. Um ponto importante da Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda é que o benefício dos BB pode demorar a aparecer. Não é efeito de “amanhã de manhã”: em muitos pacientes, a melhora clínica vem após semanas a meses, e a proteção mais consistente pode mesmo surgir mais tardiamente, em alguns casos depois de cerca de 12 meses. Também é comum haver preocupação com bloqueios atrioventriculares. Nessa situação, antes de jogar a culpa toda no betabloqueador, deve-se revisar e reduzir primeiro outros fármacos que deprimem o nodo AV, como digoxina e amiodarona, além de avaliar a gravidade do bloqueio e a estabilidade clínica. A alternativa A está incorreta porque pacientes com asma e outras pneumopatias não estão, em regra, proibidos de usar BB de forma absoluta. O que existe é cautela, preferência por betabloqueadores mais seletivos e avaliação individual, pois o uso pode ser possível em casos selecionados. A diretriz não transforma toda pneumopatia em veto automático, então a frase da questão ficou ampla demais e, por isso, errada.