Homem, 56 anos, em consulta médica de rotina, apresenta pressão arterial no valor de 185 x 100 mmHg. Possui história de Diabetes mellitus tipo II; nega outras comorbidades; nega tabagismo e etilismo. Pode-se afirmar que o estágio da hipertensão, a classificação de risco e a conduta frente ao quadro são, respectivamente:
- A)Estágio II; moderado risco; iniciar dupla terapia, preferencialmente com IECA associado a um betabloqueador.
Errada, porque a pressão sistólica de 185 mmHg define estágio III, não estágio II, e o paciente tem diabetes, o que afasta a ideia de risco apenas moderado.
- B)Estágio III; alto risco; iniciar dupla terapia, preferencialmente com IECA associado a um bloqueador de canal de cálcio ou diurético tiazídico.
Correta: a PA caracteriza estágio III, o diabetes eleva o risco cardiovascular para alto risco e a conduta indicada é iniciar dupla terapia com combinação de classes como IECA e bloqueador de canal de cálcio ou diurético tiazídico.
- C)Estágio II; alto risco; iniciar dupla terapia, preferencialmente com IECA associado a um bloqueador de canal de cálcio ou diurético tiazídico.
Errada, porque o estágio não é II, já que a sistólica está acima de 180 mmHg, embora o raciocínio sobre alto risco e dupla terapia esteja alinhado com a conduta.
- D)Estágio III; moderado risco; iniciar dupla terapia, preferencialmente com IECA associado a um bloqueador de canal de cálcio ou diurético tiazídico.
Errada, porque o estágio não é III com risco moderado; o diabetes torna o perfil de risco mais alto, e a classificação de risco foi subestimada.
Gabarito: B
Na hipertensão arterial, a classificação do estágio leva em conta o pior valor entre sistólica e diastólica. Então, uma pressão de 185 x 100 mmHg cai em hipertensão estágio III, porque a sistólica já passou de 180 mmHg. Aqui não importa que a diastólica esteja "só" em 100: a maior marcação é a que manda no jogo. Depois vem o risco cardiovascular. Quando o paciente tem diabetes mellitus, ele já entra em um perfil de risco mais alto, porque o diabetes funciona como fator de risco importante para eventos cardiovasculares e lesão de órgão-alvo ao longo do tempo. Em prova, isso costuma puxar a classificação para alto risco, especialmente quando a pressão está bem elevada. Quanto à conduta inicial, não é caso de começar com monoterapia, porque a PA está muito acima da meta. A orientação geral é iniciar terapia combinada, preferencialmente com duas drogas de classes diferentes, como IECA associado a bloqueador de canal de cálcio ou a diurético tiazídico. Isso é coerente com diretrizes amplamente usadas na prática clínica, que reservam a associação já no começo quando a pressão está muito elevada. Por isso o gabarito B fecha direitinho: estágio III pela sistólica de 185 mmHg, alto risco pelo diabetes, e início com dupla terapia adequada. A banca gosta bastante de testar esse trio: estágio, risco e tratamento, tudo na mesma tacada.