A vigilância do desenvolvimento infantil é parte essencial do conjunto de cuidados, que visam promover uma infância saudável. O médico pediatra deve estar apto para avaliar a sequência natural de evolução das habilidades e também os fatores de risco que possam comprometê-las. Considere um paciente, lactente de cinco meses, nascido de parto vaginal. Mãe nega intercorrências ao nascimento; porém, está sem a Caderneta de Saúde da Criança e sem demais dados sobre o nascimento. Refere que aos dois meses a criança apresentou episódio de bronquiolite viral aguda, permanecendo internada durante um mês. Ao exame físico, observa-se que ela não sustenta a cabeça por mais de dez segundos e não consegue ficar sentada com apoio. Nesta situação, é possível afirmar que tal paciente apresenta:
- A)Distúrbio no desenvolvimento neuropsicomotor, resultando em um atraso definitivo.
Errada, porque o quadro descreve atraso do desenvolvimento, mas não permite afirmar que seja definitivo.
- B)Desenvolvimento neuropsicomotor adequado para idade, devendo seguir acompanhamento de puericultura de rotina.
Errada, pois aos 5 meses já se espera melhor controle cervical e o achado está abaixo do esperado para a idade.
- C)Provavelmente, a criança apresenta uma síndrome genética a esclarecer e deve ser solicitado cariótipo nesta consulta para investigação.
Errada, porque não há elementos que apontem primariamente para síndrome genética; o dado mais relevante é o fator de risco clínico e de internação prolongada.
- D)Um atraso do desenvolvimento neuropsicomotor, provavelmente devido ao período prolongado de internação hospitalar e necessita de acompanhamento com equipe multidisciplinar.
Certa, pois a criança mostra atraso do desenvolvimento neuropsicomotor e a internação prolongada é um fator plausível para esse atraso, exigindo acompanhamento multiprofissional.
Gabarito: D
Na vigilância do desenvolvimento infantil, o pediatra compara o que a criança faz com o que se espera para a idade, sempre lembrando que fatores intercurrencias podem “atrasar” temporariamente algumas aquisições. Aos 5 meses, o lactente já deve sustentar melhor a cabeça e ir ganhando controle de tronco, então não sustentar a cabeça por mais de 10 segundos chama atenção para atraso do desenvolvimento neuropsicomotor. O ponto importante aqui é não sair carimbando atraso como definitivo. Muitas vezes, principalmente após doença grave, internação prolongada, menor estimulação e perda de rotina, a criança pode apresentar um atraso do desenvolvimento que exige acompanhamento e reavaliação. A evolução vai dizer se é atraso transitório, global ou se há outro problema de base. Como a caderneta e os dados do nascimento estão ausentes, o pediatra precisa olhar o contexto inteiro: prematuridade, intercorrências neonatais, tempo de hospitalização e marcos do desenvolvimento. Neste caso, a história de bronquiolite com internação por um mês pesa bastante como fator de risco para atraso, justificando seguimento mais próximo e abordagem multiprofissional. Por isso, o gabarito é a letra D. A criança apresenta um atraso do desenvolvimento neuropsicomotor, provavelmente associado ao período prolongado de internação hospitalar, e não um atraso definitivo nem uma situação que obrigue, de saída, a investigação genética isolada. Na prática da puericultura, o seguimento seriado é tão importante quanto o exame de hoje.