“Dismenorreia”, do grego fluxo menstrual difícil, trata-se de uma dor pélvica que ocorre antes ou durante o fluxo menstrual. Tem alta prevalência e atinge maiores índices em mulheres com menos de 20 anos. Pode ser classificada, em relação à intensidade, em formas leve, moderada e grave e, em relação à etiologia, em primária ou funcional e secundária ou orgânica. São características da dismenorreia primária, EXCETO:
- A)Início, em geral, dois anos após a menarca.
Certa: a dismenorreia primária costuma surgir cerca de 6 meses a 2 anos após a menarca, quando os ciclos ovulatórios já se consolidam.
- B)Exame clínico sem achados significativos.
Certa: no quadro primário, o exame clínico geralmente é normal, sem sinais que apontem para doença pélvica orgânica.
- C)Exames subsidiários (RNM; US pélvica; e, CA 125) normais.
Certa: na dismenorreia primária, exames complementares como US pélvica e RNM costumam ser normais, porque não há lesão estrutural associada.
- D)Dor pélvica crônica, dispareunia e dor ao toque genital associados.
Errada: dor pélvica crônica, dispareunia e dor ao toque genital sugerem dismenorreia secundária, ligada a causa orgânica.
- E)Manifesta-se imediatamente antes ou no início do fluxo com atenuação progressiva.
Certa: a dor da dismenorreia primária costuma começar imediatamente antes ou no início do fluxo menstrual e melhora progressivamente.
Gabarito: D
A dismenorreia primária é aquela cólica menstrual sem doença pélvica identificável, muito comum em adolescentes e mulheres jovens. Em geral, ela começa pouco tempo depois da menarca, costuma aparecer no início do fluxo ou logo antes dele e tende a melhorar ao longo dos primeiros dias da menstruação. No exame físico, normalmente não há achados relevantes, e os exames de imagem e laboratoriais costumam vir normais, porque não existe uma causa orgânica por trás do quadro. Já a dismenorreia secundária vem junto de uma causa ginecológica, como endometriose, adenomiose, miomas ou doença inflamatória pélvica. Nesses casos, a dor costuma ser mais persistente, pode vir acompanhada de dispareunia, dor pélvica crônica e dor à palpação genital, ou seja, o corpo entrega mais pistas do que deveria. É exatamente por isso que a alternativa D está errada: ela descreve sinais típicos de dismenorreia secundária, não da primária. Na prática, a banca costuma cobrar essa diferença de forma bem direta: primária = sem sinais de doença, início após a menarca, cólica cíclica e exames normais; secundária = dor mais “suspeita”, com outros sintomas associados e investigação positiva. Como regra doutrinária em ginecologia, quando há achados de exame ou sintomas associados, você deve pensar em causa orgânica primeiro.