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Medicina · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Medicina

“Dismenorreia”, do grego fluxo menstrual difícil, trata-se de uma dor pélvica que ocorre antes ou durante o fluxo menstrual. Tem alta prevalência e atinge maiores índices em mulheres com menos de 20 anos. Pode ser classificada, em relação à intensidade, em formas leve, moderada e grave e, em relação à etiologia, em primária ou funcional e secundária ou orgânica. São características da dismenorreia primária, EXCETO:

Gabarito: D

A dismenorreia primária é aquela cólica menstrual sem doença pélvica identificável, muito comum em adolescentes e mulheres jovens. Em geral, ela começa pouco tempo depois da menarca, costuma aparecer no início do fluxo ou logo antes dele e tende a melhorar ao longo dos primeiros dias da menstruação. No exame físico, normalmente não há achados relevantes, e os exames de imagem e laboratoriais costumam vir normais, porque não existe uma causa orgânica por trás do quadro. Já a dismenorreia secundária vem junto de uma causa ginecológica, como endometriose, adenomiose, miomas ou doença inflamatória pélvica. Nesses casos, a dor costuma ser mais persistente, pode vir acompanhada de dispareunia, dor pélvica crônica e dor à palpação genital, ou seja, o corpo entrega mais pistas do que deveria. É exatamente por isso que a alternativa D está errada: ela descreve sinais típicos de dismenorreia secundária, não da primária. Na prática, a banca costuma cobrar essa diferença de forma bem direta: primária = sem sinais de doença, início após a menarca, cólica cíclica e exames normais; secundária = dor mais “suspeita”, com outros sintomas associados e investigação positiva. Como regra doutrinária em ginecologia, quando há achados de exame ou sintomas associados, você deve pensar em causa orgânica primeiro.

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