Paciente, sexo feminino, 2 anos, é trazida pela mãe à consulta médica apresentando lesões extensas com rash eritematoso escarlatiniforme; bolhas e áreas ulceradas exsudativas em axilas, região cervical e ao redor da boca. Mãe revela que a criança está no quinto dia de tratamento de nasofaringite aguda. Sobre a síndrome da pele escaldada estafilocócica, assinale a afirmativa correta.
- A)A histopatologia típica demonstra clivagem subepidérmica com necrose da epiderme.
Errada, porque a histopatologia típica mostra clivagem bem superficial, subcórnea, e não clivagem subepidérmica com necrose da epiderme.
- B)O tratamento envolve a internação hospitalar para antibioticoterapia; controle hidroeletrolítico; e, manejo de sintomas.
Certa, porque o tratamento envolve internação, antibioticoterapia sistêmica, controle hidroeletrolítico e manejo de sintomas devido ao risco de desidratação e complicações.
- C)A terapêutica local consiste no uso de antissépticos; permanganato de potássio; e, pomada à base de mupirocina, neomicina ou bacitracina.
Errada, porque antissépticos e pomadas tópicas podem até ter papel auxiliar, mas não constituem a terapêutica central da síndrome.
- D)Consiste na infecção secundária de glândulas sudoríparas écrinas e deve ser tratada com antibioticoterapia tópica ou oral, a depender da gravidade do caso.
Errada, porque a doença não é infecção secundária de glândulas sudoríparas écrinas, e o tratamento não se baseia em antibiótico tópico ou oral apenas.
- E)A maior parte dos pacientes apresenta boa resposta à administração intramuscular de penicilina para controle da infecção e da progressão da doença, sendo a internação hospitalar reservada para os casos graves.
Errada, porque penicilina intramuscular não é o esquema padrão para controlar essa síndrome, que requer antibiótico antiestafilocócico sistêmico e frequentemente internação.
Gabarito: B
A síndrome da pele escaldada estafilocócica é uma reação à toxina produzida pelo Staphylococcus aureus, e não uma “infecção rasinha” da pele em si. Ela aparece muito em crianças pequenas, com febre, irritabilidade, rash eritematoso difuso, bolhas e descamação dolorosa, especialmente em áreas de dobra e ao redor da boca. O quadro assusta, porque parece queimadura, mas o problema central é toxina circulante agindo sobre a pele. O ponto clássico da doença é a clivagem muito superficial da epiderme, em nível subcórneo, por ação das exotoxinas esfoliativas que quebram a desmogleína 1. Por isso, na histopatologia, você não espera uma clivagem subepidérmica com necrose da epiderme. É um detalhe que a banca adora trocar para confundir. O tratamento correto costuma exigir internação hospitalar, principalmente em crianças, para antibioticoterapia sistêmica antiestafilocócica, controle hidroeletrolítico e manejo da dor e dos sintomas. Como há perda de barreira cutânea e risco de desidratação e sepse, o cuidado de suporte é parte essencial da conduta. Em geral, usam-se drogas ativas contra S. aureus, como oxacilina ou cefalosporinas adequadas, conforme o cenário clínico e a resistência local. Por isso, o gabarito é a letra B: ela resume exatamente a conduta mais cobrada na síndrome da pele escaldada estafilocócica. Se a questão fala em toxina, criança pequena, bolhas e áreas exsudativas, pense primeiro em suporte hospitalar e antibiótico sistêmico, não em tratamento tópico como solução principal.