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Medicina · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Medicina

A estratificação do risco cardiovascular dos indivíduos assintomáticos mais predispostos é crucial para a prevenção efetiva, com a correta definição das metas terapêuticas individuais. Atribuição intuitiva do risco frequentemente resulta em sub ou superestimação dos casos de maior ou menor risco, respectivamente. Para contornar esta dificuldade, diversos algoritmos têm sido criados, baseados em análises de regressão de estudos populacionais, por meio dos quais a identificação do risco é substancialmente aprimorada. (Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2017.) Considerando a diretriz citada, analise as afirmativas a seguir. I. A dosagem da proteína C-reativa ultrassensível pode ser empregada na estratificação de risco cardiovascular e possui capacidade de reclassificação nos indivíduos de risco intermediário. II. Considerando indivíduos de muito alto risco cardiovascular, o LDL-colesterol deve ser reduzido para < 50 mg/dL e o não HDL-c < 80 mg/dL. III. Recomenda-se tratamento medicamentoso visando à elevação dos níveis de HDL-colesterol, sendo o ezetimibe a droga de escolha. Está correto o que se afirma em

Gabarito: B

A ideia central da diretriz de dislipidemias é simples: não basta olhar o colesterol isolado, porque o risco cardiovascular depende do conjunto e, em muitos casos, a conta “no olho” erra feio. Por isso, a estratificação do risco usa algoritmos e também alguns marcadores complementares para refinar a classificação, principalmente nos pacientes assintomáticos que parecem ficar no meio do caminho. A proteína C-reativa ultrassensível (PCR-us) é um desses marcadores. Ela pode ajudar na estratificação e, sobretudo, tem utilidade para reclassificar indivíduos de risco intermediário, quando há dúvida sobre quão agressiva deve ser a prevenção. Então a afirmativa I está correta. Na diretriz brasileira de 2017, o paciente de muito alto risco deve ter metas mais rígidas: LDL-colesterol abaixo de 50 mg/dL e não-HDL abaixo de 80 mg/dL. Isso reflete a lógica de quanto maior o risco, menor deve ser a meta lipídica. Logo, a afirmativa II também está correta. Já a afirmativa III escorrega: não se recomenda medicamento com objetivo de aumentar HDL-colesterol, e o ezetimibe não é droga de escolha para isso, porque sua ação principal é reduzir absorção intestinal de colesterol e baixar LDL. Em resumo, o gabarito é B porque apenas I e II estão certas.

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