A resposta orgânica precoce cometida após um trauma grave ou cirurgia de grande porte, por componentes neuroendócrino, inflamatório e celular, caracteriza-se por uma série de alterações metabólicas e imunológicas. Neste contexto, espera-se a ocorrência de:
- A)Aumento da insulina.
Errada: no estresse grave há resistência à insulina, e não aumento efetivo da ação insulínica.
- B)Redução de TNF-alfa, IL-4, IL-10.
Errada: TNF-alfa costuma aumentar na resposta inflamatória, e IL-4 e IL-10 não são reduzidas nesse padrão como a alternativa sugere de forma simplista.
- C)Aumento da albumina e pré-albumina.
Errada: albumina e pré-albumina tendem a diminuir na resposta inflamatória e catabólica, não aumentar.
- D)Aumento da excreção urinária de nitrogênio.
Certa: o trauma grave e a cirurgia maior causam proteólise e balanço nitrogenado negativo, elevando a excreção urinária de nitrogênio.
- E)Redução da secreção do hormônio antidiurético.
Errada: na fase de estresse há aumento, e não redução, da secreção de ADH para ajudar na retenção hídrica.
Gabarito: D
Depois de um trauma grave ou de uma cirurgia de grande porte, o organismo entra em modo de sobrevivência. É como se o corpo apertasse o botão de emerĝencia: sobe o estresse hormonal, aumenta a resposta inflamatória e acontece um forte catabolismo, ou seja, o corpo passa a “queimar” reservas para manter energia e reparar tecidos. Nesse cenário, o paciente costuma apresentar resistência à insulina, aumento da gliconeogênese, proteólise muscular e balanço nitrogenado negativo. Na prática, isso significa que há maior quebra de proteínas e, por consequência, mais perda de nitrogênio pela urina. Por isso, a alternativa D está correta: a excreção urinária de nitrogênio aumenta. As citocinas inflamatórias também participam bastante desse processo, junto com catecolaminas, cortisol e glucagon. Já proteínas como albumina e pré-albumina tendem a cair, porque são marcadores de fase aguda negativa e também sofrem redução pela resposta inflamatória e pelo estado catabólico. Em resumo: trauma grande e cirurgia grande não deixam o corpo em “economia”, mas em consumo acelerado. O resultado clássico é hipercatabolismo, perda proteica e aumento da eliminação de nitrogênio na urina.