O Choosing Wisely (escolhendo com sabedoria) é uma iniciativa liderada por profissionais de saúde em todo o mundo que visa promover o diálogo entre médicos e pacientes sobre intervenções de saúde de baixo valor, evitando exames, tratamentos e procedimentos médicos desnecessários. Considerando a grande prevalência das doenças tireoidianas, e que as intervenções de baixo valor para tais doenças são frequentes na prática clínica, foi desenvolvida uma lista de recomendações ao abordar pacientes com doenças da tireoide. De acordo com as orientações do Choosing Wisely Brasil, endossadas pelo Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, recomenda-se:
- A)Dosagem de rotina do T3 reverso (rT3) na avaliação de função tireoideana.
Errada, porque o rT3 não deve ser dosado rotineiramente na avaliação da função tireoidiana, já que tem pouca utilidade clínica.
- B)Não utilização da triiodotironina (LT3) isolada no tratamento de hipotireoidismo.
Certa, porque a LT3 isolada não é recomendada no tratamento do hipotireoidismo; a reposição padrão é feita com levotiroxina (LT4).
- C)Dosagem de rotina da tireoglobulina sérica na avaliação inicial de nódulos de tireoide.
Errada, porque a tireoglobulina não faz parte da avaliação inicial de nódulos de tireoide, sendo mais usada no seguimento de câncer diferenciado.
- D)Dosagem de rotina dos marcadores moleculares na avaliação inicial de pacientes com nódulo de tireoide.
Errada, porque marcadores moleculares não devem ser solicitados rotineiramente na avaliação inicial de nódulo tireoidiano, ficando para casos selecionados.
- E)Manutenção de doses supressivas de levotiroxina em pacientes com carcinoma diferenciado de tireoide com excelente resposta.
Errada, porque a supressão excessiva de TSH com levotiroxina não deve ser mantida de rotina em pacientes com excelente resposta, devido aos riscos e à falta de benefício adicional.
Gabarito: B
O Choosing Wisely existe para lembrar que, em medicina, nem tudo que pode ser pedido deve ser pedido. Na endocrinologia, isso é ainda mais importante na doença tireoidiana, porque há uma tendência a solicitar exames de pouca utilidade na prática e a tratar com intervenções que não trazem benefício real ao paciente. No hipotireoidismo, a reposição padrão é com levotiroxina (LT4). A triiodotironina (LT3) isolada não é recomendada como tratamento de rotina, porque tem ação mais curta, maior oscilação sérica e não oferece vantagem consistente em desfechos clínicos. Por isso, a orientação do Choosing Wisely Brasil, endossada pelo Departamento de Tireoide da SBEM, é evitar LT3 isolada no tratamento do hipotireoidismo. As demais alternativas descrevem exames ou condutas que também são desestimulados no contexto inicial ou de rotina, mas a questão pede o que se recomenda. O ponto central aqui é saber que a conduta padrão é LT4, não LT3 isolada, e que o bom senso clínico vale mais que uma prescrição “moderna” sem benefício comprovado. Em resumo: o paciente hipotireoideo quer tratamento eficaz e estável, não um hormônio tireoidiano de efeito curto para complicar a vida e a curva laboratorial.