Homem, 35 anos, apresenta episódios recorrentes de cefaleia unilateral extremamente intensa, que dura de 15 minutos a 3 horas, ocorrendo em média a cada dois dias. Durante as crises, o paciente relata lacrimejamento ipsilateral, rinorreia e congestão nasal, ptose palpebral. Diante do quadro clínico, o diagnóstico mais provável e o tratamento mais adequado para tal paciente são:
- A)Neuralgia craniana; injeção de toxina botulínica.
Errada, porque neuralgia craniana não explica o padrão típico de crises autonômicas e a toxina botulínica não é o tratamento de escolha desse quadro.
- B)Cefaleia tensional crônica; antidepressivos tricíclicos.
Errada, porque cefaleia tensional crônica costuma ser bilateral, em aperto, sem sinais autonômicos e sem crises tão intensas e curtas.
- C)Enxaqueca com aura; bloqueadores dos canais de cálcio.
Errada, porque enxaqueca com aura não tem esse perfil clássico de dor em salvas com lacrimejamento, rinorreia, congestão nasal e ptose, e bloqueadores de canal de cálcio não são o tratamento de crise.
- D)Cefaleia em salvas; oxigênio a 100% em máscara não reinalante a 10 L/min.
Certa, porque o quadro é típico de cefaleia em salvas e a crise aguda deve ser tratada com oxigênio a 100% em máscara não reinalante.
Gabarito: D
O quadro descreve uma cefaleia trigemino-autonômica, e a campeã aqui é a cefaleia em salvas. Ela costuma acontecer em homens jovens, com dor unilateral muito intensa, curta, em crises que podem durar de 15 minutos a 3 horas, repetindo várias vezes ao longo de dias ou semanas. O detalhe que fecha o diagnóstico é a presença de sintomas autonômicos ipsilaterais, como lacrimejamento, congestão nasal, rinorreia e ptose palpebral. É aquela dor que não vem para brincar: o paciente fica inquieto, agitado, e não quer ficar quieto no escuro como na enxaqueca clássica. No tratamento da crise aguda, o mais adequado é oxigênio a 100% em máscara não reinalante, geralmente a 10 a 12 L/min, por cerca de 15 minutos. Isso reduz a dor rapidamente em muitos pacientes. Outra opção de resgate, quando indicada, é o triptano de ação rápida, mas a questão pede o tratamento mais adequado e o oxigênio é a resposta clássica de prova. Por isso, o gabarito D está correto: cefaleia em salvas com crise tratada por oxigênio em alta concentração. Em neurologia de concurso, quando você vê dor unilateral explosiva + sintomas autonômicos ipsilaterais + duração curta e recorrente, pense logo em cefaleia em salvas. A lógica é mais importante do que decorar nome bonito: o padrão da dor entrega o diagnóstico.